VII Trail Nocturo da Lagoa de Óbidos

No primeiro fim de semana de Agosto desloquei-me a Óbidos para participar na VII edição do Trail Noturno da Lagoa de Óbidos. 

Cheguei a Óbidos por volta das 18:30 e fui logo tratar de levantar o dorsal, de seguida voltei para o carro para o guardar e fui dar uma volta pela vila e tratar de encontrar um sitio onde pudesse jantar antes da prova. 

Não queria comer nada de muito fora do habitual e quando encontrei um restaurante que tinha no menu "esparguete com atum" acabei por aproveitar visto ser uma receita já testada anteriormente e com sucesso.

Como tinha jantado cedo consegui ir calmamente para o carro equipar-me colocar as ultimas coisas na mochila e ir para o "jogo da bola": Local da concentração de atletas para a prova e onde seria dado o briefing.

No local da concentração encontro os meus colegas de equipa: Isa o Vitor e com eles estava o grande Filipe que aproveitei para finalmente conhecer pessoalmente. 

Depois de bastante tempo de espera durante o qual, soube posteriormente, (na altura não me apercebi de nada tal a confusão) que foi feito o briefing da prova e um minuto de silêncio em memória do João Marinho começamos a descer as ruas da vila até à entrada onde seria a partida oficial da prova.

Não posso dizer que tenha sido uma prova que tenha gostado particularmente. Prova com muito estradão, e apenas umas duas ou três zonas com subidas e descidas mais complicadas, inclusive algumas tinham de ser feitas com auxilio de cordas. Nestas zonas havia single tracks que se fosse de dia tinha-me aventurado a correr um pouco mais, mas de noite fui menino e tive receio de ficar ali estendido.

Acho que o interessante desta prova é o ser feita de noite. Acaba por ser diferente do habitual e tem outro tipo de dificuldades. Por exemplo achei que mesmo com o frontal o chão parece todo a direito, não sei se acontece com os frontais xpto que parecem farois, mas com o meu em alguns tipos de piso não se consegue perceber se está ali um desnivel ou não.

A minha prova correu dentro do normal, tendo terminado com mais alguns minutos do que o máximo das 4h a que me tinha proposto. Para alem ao fazer os 26Km desta prova disso atingi o meu máximo de distância em provas de Trail.

Não sei se voltarei a Óbidos, é uma prova que me deixa sentimentos mistos. Por um lado foi algo de diferente, por outro lado não consigo encontrar nada na prova que me puxe imediatamente para a repetir.

A minha prova:

36ª Corrida das Fogueiras

No sábado passado foi dia de voltar a uma prova clássica das Corridas, falo claro da Corrida das Fogueiras em Peniche. Depois de ter falhado a participação na prova do ano passado, este ano tinha mesmo de lá voltar. Como de costume nesta prova fui com os meus pais, a Rita e a mãe dela.


Quando saímos de Lisboa por volta das 17:00 e com cerca de 37º de temperatura não podia sequer imaginar que quando chegasse a Peniche uma hora e meia depois estivessem apenas uns 20º. Fui logo ter com o João Lima que já tinha levantado os dorsais e fomos de seguida procurar um sítio para jantar.



Estas provas são boas para ajudar o comércio local, e este ano para além do jantar também contribuímos ao comprar uns casacos para que a minha claque não ficasse cheia de frio enquanto esperava por mim.



Nas minhas duas anteriores participações optei por não jantar comendo apenas algo mais leve, mas este ano mudei um pouco as coisas. Estava ainda com as pernas doridas do treino Escadinhas e Subidinhas da passada quinta feira, e para além disso por motivos profissionais acordei algumas vezes durante a noite. Ou seja não tinha grandes expectativas para esta prova, por isso pensei que se já não estava em condições ideais para correr, não ia também ficar sem jantar. Não fui totalmente inconsciente e optei por comer peixe grelhado, para não ter uma digestão muito complicada.



Com uma dourada no estômago deixei a minha claque a acabar de jantar e fui para o local da partida (este ano mudaram para junto dos Bombeiros). Encontrei novamente o João e fiz o aquecimento com ele. Logo aqui vi que tinha sido má ideia jantar. Não estava mal disposto mas estava a sentir o estômago demasiado esquisito.



Aquecimento feito e fomos para a nossa zona de partida (mais uma novidade deste ano, partida por zonas de tempo). Encontrámos os amigos Sandra e Nuno e começámos a prova a correr todos juntos. De inicio ainda tentei seguir ao ritmo do João, mas ele estava muito rápido e acabei por ir ficando para trás.



Passei os primeiros quilómetros da prova à luta com o meu estômago, não ia confortável e a minha ideia era tentar minimizar o desconforto e aguentar-me até ao final da prova. Depois da voltinha inicial por uma zona mais deserta de Peniche, ao quilómetro 4 voltamos para o interior e numa viragem à direita levamos com o primeiro banho de multidão (que se mantém sempre até ao final). Era nesta zona que estava a minha claque e foi bom passar por eles para dar um ânimo extra para o resto da prova. 



Apesar de o estômago não estar a melhorar, conseguia manter o ritmo na ordem dos 05:30 min/km. Para isso muito ajudou a presença de tanta gente na rua enquanto atravessámos Peniche até chegar ao inicio da Marginal. 



Tinha ideia que a fase inicial da Marginal era a subir, mas a verdade é que praticamente nem dei pela subia. Aliás nem aqui nem na parte final da prova em que temos algum sobe e desce. Atribuo isso à minha presença no treino do João Campos - Escadinhas e Subidinhas.



Foi durante esta subida que a minha prova começou a mudar. O estômago continuava a incomodar-me mas, talvez por ter encontrado o amigo Rui Gameiro e ter ido um pouco à conversa com ele acabei por distrair-me desse problema. O Rui acabou por seguir e eu comecei consistentemente a aumentar o meu ritmo quilómetro após quilómetro. 



Durante o resto da marginal fui aumentando o ritmo e passei a sentir que afinal era capaz de fazer uma boa prova, mas sem me preocupar com tempos finais. Ao chegar à zona do Farol do Cabo Carvoeiro, sabia que vinha uma zona de sobe e desce, mas nesta altura já estava imparável. Estava a passar imensa gente e dei por mim a ir abaixo dos 5 min/km. Faltavam cerca de quatro quilómetros para o final da prova e aqui sim comecei a fazer contas. 



Tinha visto antes da prova que a média do meu Record aos 15 Km estava nos 5:23 min/km. Pensei que dado o inicio da prova ter sido mais complicado seria complicado recuperar o tempo perdido, mas a verdade é que com o passar dos quilómetros comecei a acreditar que ia ser possível, e lembrando-me de algumas palavras de incentivo da Rita fui sempre a forçar até ao final da prova. Se não chegasse ao record não ia ser por não ter dado tudo. 


Nos últimos dois quilómetros o percurso estava um pouco diferente, o que fez com que apanhássemos mais uma ligeira subida. Na altura desmotivei um bocado, é que para além da subida a zona estava também um pouco mais deserta. No último quilómetro estava novamente no percurso habitual e na zona onde se concentram a maior parte das pessoas. Estava uma enorme festa e passei pela minha claque a "voar" enquanto gritava "Record, Record" :)


Acabei a prova em sprint para um fantástico tempo de 1 hora 20 minutos e 58 segundos, ou seja menos 2 minutos e 38 segundos que o meu anterior record (obtido já este ano na corrida do 1º de Maio).



Reparei que o João Lima tinha chegado cerca de 20 segundos à minha frente e fui ter com ele. Também tinha feito uma excelente prova e ficado a apenas 10 segundos do seu record. 



Terminei a prova extremamente satisfeito, depois de um inicio complicado consegui fazer o resto da prova sempre em crescendo e terminar com um tempo que para mim foi excelente. Foi bastante satisfeito que fui ter com os meus pais, a Rita e a mãe dela para voltarmos para Lisboa. 



Não falei muito do público de Peniche ao longo do percurso, porque simplesmente não sei como o descrever. Esta prova tem de ser vivida, não há descrição que lhe faça jus. Só participei três vezes mas é das provas que mais gosto de fazer, é mágico correr à noite naquela marginal só iluminada pelas fogueiras. É uma emoção enorme passar por zonas em que está toda a gente na rua a gritar e aplaudir os atletas, desde adultos a crianças sempre de mão esticada à espera de um high5.



Peniche é uma prova obrigatória para quem anda neste mundo ou para quem acompanha. Tanto a participar como a ver é um ambiente único e que vale a pena viver pelo menos uma vez.



Obrigado Peniche e até para o ano.


Classificações:


Fotos:


A minha prova:

Triatlo de Oeiras 2015 (Super-Sprint)

Desta vez vou começar o post logo pelo fim. Está feito, sou triatleta. Onde e quando é o próximo triatlo para me inscrever?

Mas vamos voltar ao Inicio, que por sinal foi bastante cedo para um domingo. Às 06:50 estava o despertador a tocar. Foi só tomar o pequeno almoço e pegar nas coisas que estavam organizadas de véspera para sair de casa e ir ter com o João Pires.

A logística para um triatlo é um bocadinho mais complicada do que a das corridas. Por isso, queria chegar cedo para poder entrar sem fila no parque de transição e deixar as coisas arrumadas com calma. 


Depois de deixarmos tudo pronto no parque fomos ter com a Rita que tinha ido logo para a praia apanhar sol. Também aqui o chegar cedo deu jeito, já que ela conseguiu arranjar um espacinho para o chapéu de sol mesmo junto do percurso que iríamos fazer entre a água e o parque de transição.


Cerca de trinta minutos antes do inicio fomos fazer o aquecimento. Primeiro uma corrida pela areia e depois umas braçadas na água para o corpo se ambientar à temperatura. Felizmente desta vez não custou tanto a entrar. A água estava a cerca de 18º e ao mergulhar não senti a mesma dificuldade a respirar que tinha sentido no treino feito ali há umas semanas.

Quase à hora marcada fomos para a partida, onde ouvimos o treinador de um atleta a avisá-lo que estava uma corrente forte para a esquerda e que era preferível sair o mais à direita possível. 

A partida para a natação foi por vagas e era realmente visível os efeitos da corrente nos atletas que já tinham partido. 

Como se vê na minha excelente representação, os atletas já na agua em vez de seguirem a direito para a bóia formavam ali uma espécie de "balão".


Segmento 1 - Natação (Tempo 08m 29s)
Na hora de sairmos a correr para a água, consegui controlar-me e não ir feito parvo para o meio da molhada. Vá, corri um bocadinho mas deixei-me ficar na cauda do pelotão. Se fui consciente nesta parte o mesmo não posso dizer de quando comecei a nadar. 

Sem me aperceber, entrei na natação demasiado forte, pelo que ao fim de uns 50 metros já me sentia completamente ofegante e passou-me um pouco de tudo pela cabeça. Desde "não vou conseguir acabar a natação" a "vou fazer o resto a costas para conseguir respirar melhor". 

Como comecei a nadar mais rápido do que o pretendido, dei por mim no meio de mais atletas. É expectável que isso aconteça numa prova com mais de 200 inscritos, mas foi uma novidade para mim. Levei com toques nos pés e pernas e bati nos pés e pernas de quem ia à minha frente, mas felizmente sem grandes pancadas. Também passei parte do percurso da natação a engolir água salgadinha... que bom :)

Com tudo isto fui nadando até à primeira bóia, sem no entanto conseguir evitar ter de corrigir várias vezes a trajectória. A corrente estava realmente a puxar um pouco para a esquerda.

Da primeira até à segunda bóia não houve nada de especial, tirando uma situação engraçada com outro atleta em que parecia estarmos a fazer natação sincronizada. Eu normalmente respiro para a direita, e esse atleta ia do meu lado direito, mas a respirar para a esquerda. Resultado: como íamos ao mesmo ritmo, a cada braçada acabávamos os dois a olhar um para o outro. 

Chegado à segunda bóia, faltava só o regresso a terra e um pouco mais de luta contra a corrente. Mais uma vez estava a ser puxado para a esquerda, o que me ia fazer sair demasiado para o lado. 

8 minutos e 29 segundos depois de ter começado a natação estava de regresso à areia para começar a Transição 1.

Transição 1: Natação - Ciclismo (Tempo: 3m 47s) 
Saí da água completamente ofegante e cansado, como aliás é fácil perceber nas fotos que a Rita gentilmente tirou (Obrigado amor, apanhaste-me com óptimo ar!).


Ao inicio ainda tentei correr pela areia mas rapidamente parei com essa parvoíce e fui a andar, até porque da areia até ao parque de transição era sempre a subir. A meio da subida estavam os bombeiros com mangueiras a molhar os atletas, especialmente os pés o que foi excelente para tirar parte da areia. 

Ao entrar no parque de transição tirei rapidamente a camisola, touca e óculos e atirei-os para dentro do cesto. De seguida, foi pegar no dorsal, capacete e óculos já preparados de modo a ser um processo rápido. Comecei a calçar as meias (há quem faça sem meias, eu optei por não experimentar) e apesar dos pés molhados safei-me bastante bem. Também optei por calçar logo os sapatos de ciclismo e ir logo a correr com eles até à linha onde podia montar a bicicleta.

Quando já estava pronto para sair e a pegar na bicicleta, vi o Pires a chegar. Neste momento ainda tinha a esperança de conseguir acabar à frente dele.

Segmento 2 - Ciclismo (Tempo: 18m 3s)
Queria fazer um segmento de ciclismo rápido a uma média de cerca de 30 Km/h e por isso arranquei logo forte de inicio. Comecei por ultrapassar uma série de malta, mas fui sempre sozinho até ao ponto do retorno. Ou eu ia mais rápido do que os atletas por quem passava, ou os que passavam por mim iam muito mais rápido e não conseguia seguir na roda.

No retorno consegui encostar a um outro atleta com o qual segui até ao final. Não chegámos a falar mas entendemos-nos bem - ora puxava eu, ora puxava ele. Foi também depois do retorno que o Pires me apanhou.

Nesta altura éramos um grupo de 4, mas já nos últimos 2 Km não consegui aguentar o andamento do Pires e fiquei para trás. Comecei também a tentar poupar-me para não começar a corrida com as pulsações a mil.

Quase a chegar à entrada para o Parque de Transição optei por jogar pelo seguro e não me descalçar em cima da bicicleta.

Transição 2: Ciclismo - Corrida (Tempo: ???)
Ao entrar para o parque de transição esqueci-me de mudar a actividade no relógio e por isso o registo ficou meio marado. Por isso não sei ao certo quando tempo demorei mas certamente que foi mais rápido do que a primeira.

Esta transição foi bem mais fácil do que a anterior. Foi só chegar ao sitio onde devia guardar a bicicleta, "atira-la" para o ferro e muito rapidamente descalçar uns sapatos de ciclismo e calçar os ténis que já estavam com os atacadores apertados. 

Consegui fazer um transição rápida e sair apenas uns 20 metros atrás do Pires.

Segmento 3 - Corrida (Tempo: 13m 52s)
Teoricamente este seria o segmento onde eu estaria mais à vontade, mas na prática não foi bem assim.

Comecei já bastante cansado e a pensar como é que ia chegar ao fim dos dois quilómetros e meio sem ter de caminhar... Sim só 2,5 Km e eu a pensar em caminhar. 

Olhando para os números o ritmo até nem foi mau de todo (05:38 min/km) mas a sensação era a de ir no limite. E foi assim até ao ponto do retorno aos 1,25 Km.

Já só faltavam mais 1,25 Km para acabar o meu primeiro triatlo e segundo as contas conseguiria acabar abaixo dos 45 minutos. A somar a estas boas noticias comecei a sentir-me melhor e consegui aumentar o ritmo (05:10 min/km).

Fui ultrapassado por alguns atletas nesta fase e julgo que não consegui passar ninguém, nem sequer seguir no ritmo dos que passavam. Nos últimos 500 metros consegui aumentar ainda mais um pouco o ritmo (04:50 min/km), mas mesmo assim não evitei ser passado mais uma vez. Ainda tentei acompanhar mas já não dava mais.

Acabei por cortar a meta com um tempo final de 44 minutos e 24 segundos e bastante feliz por ter concretizado um sonho bastante antigo (ainda não corria e já tinha o desejo parvo de um dia fazer um triatlo).

É uma experiência do caraças. Não foi fácil - não no sentido muscular mas mais na componente cardio. Presumo que numa prova maior não seja assim, mas a sensação que me ficou desta prova é a de que fui sempre no limite e com muitos poucos momentos de descanso. 


Como resultado final deste triatlo fica a vontade de fazer um próximo e de aumentar as distâncias. 

Para quem está na duvida sobre se consegue ou não fazer um triatlo (super-sprint), eu diria para experimentarem. As distâncias são bastante acessíveis e a dificuldade normalmente está na natação, pelo menos para mim foi assim. Com alguns treinos na piscina e um ou dois no mar conseguem resolver isso.

A logistica apesar de ser mais complexa também tem a sua piada mas pode ser simplificada. Por exemplo, podem fazer o ciclismo com uma bicicleta de btt, como muita gente o faz, ou nadar com um simples fato de banho (podem é passar mais frio).

Arrisquem, vale muito a pena.

PS: quando tiver as classificações e fotos da prova actualizo o post.

Classificações:



A Minha Prova:

Natação:


Ciclismo:


Corrida:

Pré-Prova - Triatlo de Oeiras (Super-Sprint)

Nota prévia: Este post vai ser longo. Primeiro porque é um apanhado de textos sobre a preparação para o triatlo e que estão espalhados neste blog. Segundo porque tenho como objectivo deixar este registo para memória futura.

Ao longo da preparação tenho procurado relatos de quem já fez triatlo, em particular das provas de estreia. Espero com este post conseguir ajudar ou incentivar quem está na mesma situação que eu.

Posto isto a parte inicial não será nada de novo. Na parte final deste post irei fazer um resumo da preparação e o que espero do meu primeiro triatlo.

Preparação Piscina
Já antes de fazer a Maratona de Paris tinha combinado com o Pires fazer este triatlo, e por isso tive de começar a atinar mais com os treinos de natação. Estes treinos para alem de serem um bom complemento para a corrida passaram a servir para preparar a componente de natação do Triatlo. 

Notei uma boa evolução na piscina. Ao inicio custava-me a fazer mais de 4 piscinas seguidas, aos poucos fui aumentando até chegar às 12 piscinas (300 metros - distância do Super-Sprint) e a semana passada fiquei bastante satisfeito por ter conseguido fazer 30 piscinas seguidas (750 metros).

Treino em Mar aberto (texto já publicado)
Aproveitando os treinos organizados pelo Tri Jamor para o Triatlo de Oeiras fui fazer a minha primeira experiência de natação em águas abertas. O dia estava óptimo, o mar calminho e a água a uns "excelentes" 15 graus! Como este vai ser o meu primeiro triatlo e o chamado wetsuit é caro, optei por não comprar nenhum. Para remediar comprei uma camisola de surf supostamente térmica. 

A organização dos treinos tinha montado no mar duas bóias, mais ou menos como vão estar no dia da prova. O primeiro exercício consistia em fazer o circuito que se vai fazer na prova. Depois de um aquecimento, foi altura de entrar na água e posso dizer que devo ter demorado tanto tempo a entrar na água como o que demorei a fazer o circuito a nadar.



Depois de ganhar coragem para finalmente mergulhar, a dificuldade foi começar a nadar. O choque térmico foi tão grande que a respiração estava totalmente descontrolada, não conseguia inspirar / expirar normalmente e nadar crawl estava fora de questão. Fui nadando bruços e tentando o crawl de vez em quando, mas até à primeira bóia foi impossível.

Perto da bóia lá consegui atinar com a respiração e começar a nadar normalmente, mas ainda não estava tudo a 100%. Depois do problema da respiração o problema agora era a testa começar a doer-me quando punha a cabeça debaixo de água. Não sabia bem o que fazer por isso limitei-me a puxar a touca mais para baixo e a aguentar.

Chegado à segunda bóia era só voltar para a areia. Aqui comecei a sentir a corrente. Sem dar por isso ia-me chegando para as rochas no lado direito, e tinha de parar e apontar novamente a trajectória para a praia. Mas não era dos piores, havia malta que estava mesmo a ir a direito para as rochas. Como não tenho termo de comparação estava na duvida se seria uma corrente normal ou não, mas segundo os treinadores a corrente naquele dia estava mesmo forte.

O meu sair da água deve ter sido bastante cómico para quem estava a ver. Quando me levantei e comecei a caminhar na areia parecia que estava com os copos. Não conseguia ir a direito.

O resto do treino foi treinar as entradas e as saídas da água. Repetimos umas três vezes cada exercício e foi bastante engraçado.

O balanço final desta primeira experiência em águas abertas é bastante bom. Tirando o frio inicial gostei imenso do treino. Espero que no dia da prova o mar esteja à mesma calminho mas de preferência um pouco mais quente :)

Ainda em relação ao wetsuit, em principio vou mesmo optar por não comprar. É que depois do choque inicial até aguentei bem. Provavelmente no dia da prova entro na água uns 30 minutos antes para tentar habituar-me e aquecer um bocadinho antes da prova começar.

Treino de Duatlo (texto já publicado)
 - [RunDuatlo Corrida 1: 2,5 Km: Com toda a gente no local foi altura de começar o treino. O primeiro segmento seria de corrida e com uma distância curta. Sendo o primeiro segmento o grupo foi todo junto num ritmo já bastante vivo. 




Com os 2,5 Km de corrida feitos a uma média de 5:10 min /km, chegámos novamente ao parque de transição.

[Transição 1 (T1)]
A primeira coisa foi logo por o capacete na cabeça, para não haver esquecimentos e consequente penalização. Para o processo ser mais rápido o capacete tinha sido deixado logo preso ao guiador com as fitas abertas. Depois descalçar os ténis de corrida, calçar os de ciclismo pegar na bicicleta e sair do parque. 

Julgo não ter demorado muito tempo nesta parte, mas também éramos só uns 20. Foi fácil encontrar a bicicleta e vínhamos de uma corrida e não da natação. Acho que depois de sair da água e correr pela areia até ao parque vou estar bem mais cansado.

 - [BikeDuatlo Bicicleta: 20 KmNo segundo segmento deste duatlo iríamos fazer o percurso de ciclismo da prova de Sprint, ou seja íamos até Algés e voltávamos para trás. Como a marginal estava fechada e havia várias actividades tivemos direito a uma mota da PSP a abrir caminho à nossa frente :) 

Neste segmento fiquei surpreendido comigo mesmo. Consegui aguentar-me bem no grupo da frente, mas tenho noção que eles não iam a puxar como se fossem em prova. 

Fiz os 20 Km deste segmento a uma média de 26 Km/h. 

Quase a chegar ao parque de transição tentei armar-me em gajo que percebe de triatlo e comecei a descalçar-me em cima da bicicleta. Correu bem com o pé esquerdo, mas o direito não o consegui tirar do sapato. Resultado, entrei no parque de transição descalço, com um sapato preso aos pedais e o outro na mão :)

[Transição 2 (T2)]
A transição 2 é mais fácil que a anterior e só tive de deixar a bicicleta, tirar o capacete e calçar os ténis de corrida. Para não perder tempo os atacadores estavam logo apertados, mas pelos vistos estavam de mais. Algo a ter atenção no dia da prova.

Calçado e sem capacete estava pronto para o ultimo segmento.

 - [RunDuatlo Corrida 3 - 2,5 KmCorrer depois de pedalar é esquisito, as pernas parecem dois troncos que não se querem mexer e no inicio dá a sensação que estamos a correr lentamente e de forma estranha. Surpresa das surpresas, apesar dessa sensação quando olho para o relógio vejo que estou a ir abaixo dos 5 min/km.

Sendo uma corrida curta e apesar de ser já o 3 segmento da "prova" foi também muito rápida e feita quase toda no limite. Acabei com uma excelente média de 04:46 min/km.


Pré-Prova e Expectativas

Com a preparação feita o que espero desta prova? Acima de tudo espero gostar, gostei de fazer o duatlo e gostei de nadar no mar, por isso espero continuar a gostar depois de juntar as 3 componentes na mesma prova. Se acabar com vontade de me inscrever no Triatlo Olímpico de Lisboa é bom sinal.

  • Preparação: Ok dentro do esperado. Sinto-me fisicamente preparado para a distância da natação, ciclismo e corrida. Tenho a expectativa de conseguir esticar bastante o ritmo no ciclismo e na corrida para compensar o que provavelmente irei perder na natação.
  • Equipamento: Tudo preparado e arrumado. É mais material do que eu pensava ao inicio.

    • Natação: Fato de Triatlo Decathlon (que irá acompanhar-me em toda a prova); Camisola de surf de manga curta; Óculos de Natação; 2 Toucas (dica dos treinadores para tentar compensar a água fria).
    • Ciclismo: Bicicleta, óculos, capacete e sapatos de encaixe. O capacete fica com as correias abertas e pendurado no guiador de modo a que seja só pegar e por directamente na cabeça. Só não sei se calço os sapatos logo na minha área no parque, ou se os levo na mão e calço à saída do parque de transição, vai depender da distância. A duvida prende-se com o facto dos meus sapatos de encaixe terem o encaixe à frente e não ser pratico correr com eles. Em relação à entrada para a Transição 2 (T2), estou a pensar se tento descalçar os sapatos em andamento ou se não invento e jogo pelo seguro.
    • Corrida: Óculos que já vêm do ciclismo. Ténis que vão ficar logo com os atacadores apertados (espero que seja fácil enfiar o pé lá dentro). Ainda estou na duvida se levo boné ou um buff que sempre absorve melhor o suor e evita que me escorra para os olhos.

A minha maior preocupação vai para a componente da natação. Não pelo acto de nadar no mar, o treino serviu para ficar menos preocupado com isso, mas sim pelos cerca de 250 inscritos na prova. 
Li no facebook da prova comentários onde a expressão usada para tantos inscritos era "máquina de lavar". É uma expressão gira, mas deixo de achar piada quando sei que vou estar nessa "máquina". 

Para tentar evitar essa confusão deram-me a dica de na zona de saída encostar-me ao lado oposto da primeira bóia, para alem disso estou a pensar na saída deixar-me ficar para trás (provavelmente na altura não resisto e desato a correr).

Outra preocupação que tenho tem a ver com as transições, não tanto com o acto da transição em si, mas mais com o andar perdido à procura do meu local para levantar / deixar a bicicleta.

No Domingo quero chegar cedo para ter tempo de deixar a bicicleta no sitio certo e poder treinar a entrada e saída no parque. Já li ideias parvas (ou não) de pendurar um balão na bicicleta, ou por umas fitas mais coloridas na bicicleta para ser mais fácil de encontrar.

Expectativas
Eu sei que é uma primeira experiência no Triatlo, mas tenho de admitir que tenho expectativas no que diz respeito ao tempo final. Estou a apontar para os 45 minutos, acho que se a natação correr bem é uma marca que consigo fazer. 

Partindo do pressuposto que actualmente faço na piscina, 300 metros em cerca de 7 minutos:

10 minutos para Natação 
20 minutos para Ciclismo (média de 30 Km/h). É uma média ambiciosa mas acho que "fazível" (se não sair esgotado da natação)
15 minutos corrida  (média de 6 min/km). No duatlo fiz 12 minutos e tal a uma média de 04:46. (estou a dar uma boa margem aqui).


Tudo somado dá os 45 minutos. Claro que há muitas variáveis que podem influenciar estas estimativas, mas se tudo correr bem, julgo ser um tempo que consigo bater.


PS: Só passado umas horas de ter escrito este post é que me lembrei de um pormenor, que provavelmente muitos já repararam. Nas minhas contas para os 45 minutos não contei os tempos das transições... pois fui nabo. 

Não sei quanto tempo vou demorar nas transições por isso os 45 minutos talvez seja mais complicado do que pensei inicialmente. De qualquer forma vou partir para a prova com essa ideia, logo se vê se consigo encaixar o tempo das transições na margem que coloquei nos tempos previstos para cada segmento.


A preparação está feita, o pré-prova preparado e relatado, por isso venha o Triatlo :D