Resumo Mensal - Agosto 2015

O mês de Agosto acabou por não ser nada do que eu queria. Depois da prova de Óbidos tinha decidido tirar uma semana sem fazer nada, uma espécie de férias do desporto. Ia ser só uma semana e depois retomava em força os treinos para as 2 provas na Serra d'Arga. 

Pois a semana de férias transformou-se em duas semanas e meia. Se os primeiros 7 dias de paragem foram previstos os seguintes já foram forçados. Apanhei uma virose qualquer que me deixou com febre e diarreia. Depois disso foram mais alguns dias com bastantes dores nas costas que me deixaram completamente parado.


Quando voltei aos treinos claro que a forma já não estava como antes e em vez de treinar mais para compensar acabei por desmotivar e correr menos.

O resultado foi o meu pior mês do ano.

Calendário do mês de Agosto:

Número de Actividades em Agosto 2015:



Número de Km's em corrida - Agosto 2015:



VII Trail Nocturo da Lagoa de Óbidos

No primeiro fim de semana de Agosto desloquei-me a Óbidos para participar na VII edição do Trail Noturno da Lagoa de Óbidos. 

Cheguei a Óbidos por volta das 18:30 e fui logo tratar de levantar o dorsal, de seguida voltei para o carro para o guardar e fui dar uma volta pela vila e tratar de encontrar um sitio onde pudesse jantar antes da prova. 

Não queria comer nada de muito fora do habitual e quando encontrei um restaurante que tinha no menu "esparguete com atum" acabei por aproveitar visto ser uma receita já testada anteriormente e com sucesso.

Como tinha jantado cedo consegui ir calmamente para o carro equipar-me colocar as ultimas coisas na mochila e ir para o "jogo da bola": Local da concentração de atletas para a prova e onde seria dado o briefing.

No local da concentração encontro os meus colegas de equipa: Isa o Vitor e com eles estava o grande Filipe que aproveitei para finalmente conhecer pessoalmente. 

Depois de bastante tempo de espera durante o qual, soube posteriormente, (na altura não me apercebi de nada tal a confusão) que foi feito o briefing da prova e um minuto de silêncio em memória do João Marinho começamos a descer as ruas da vila até à entrada onde seria a partida oficial da prova.

Não posso dizer que tenha sido uma prova que tenha gostado particularmente. Prova com muito estradão, e apenas umas duas ou três zonas com subidas e descidas mais complicadas, inclusive algumas tinham de ser feitas com auxilio de cordas. Nestas zonas havia single tracks que se fosse de dia tinha-me aventurado a correr um pouco mais, mas de noite fui menino e tive receio de ficar ali estendido.

Acho que o interessante desta prova é o ser feita de noite. Acaba por ser diferente do habitual e tem outro tipo de dificuldades. Por exemplo achei que mesmo com o frontal o chão parece todo a direito, não sei se acontece com os frontais xpto que parecem farois, mas com o meu em alguns tipos de piso não se consegue perceber se está ali um desnivel ou não.

A minha prova correu dentro do normal, tendo terminado com mais alguns minutos do que o máximo das 4h a que me tinha proposto. Para alem ao fazer os 26Km desta prova disso atingi o meu máximo de distância em provas de Trail.

Não sei se voltarei a Óbidos, é uma prova que me deixa sentimentos mistos. Por um lado foi algo de diferente, por outro lado não consigo encontrar nada na prova que me puxe imediatamente para a repetir.

A minha prova:

36ª Corrida das Fogueiras

No sábado passado foi dia de voltar a uma prova clássica das Corridas, falo claro da Corrida das Fogueiras em Peniche. Depois de ter falhado a participação na prova do ano passado, este ano tinha mesmo de lá voltar. Como de costume nesta prova fui com os meus pais, a Rita e a mãe dela.


Quando saímos de Lisboa por volta das 17:00 e com cerca de 37º de temperatura não podia sequer imaginar que quando chegasse a Peniche uma hora e meia depois estivessem apenas uns 20º. Fui logo ter com o João Lima que já tinha levantado os dorsais e fomos de seguida procurar um sítio para jantar.



Estas provas são boas para ajudar o comércio local, e este ano para além do jantar também contribuímos ao comprar uns casacos para que a minha claque não ficasse cheia de frio enquanto esperava por mim.



Nas minhas duas anteriores participações optei por não jantar comendo apenas algo mais leve, mas este ano mudei um pouco as coisas. Estava ainda com as pernas doridas do treino Escadinhas e Subidinhas da passada quinta feira, e para além disso por motivos profissionais acordei algumas vezes durante a noite. Ou seja não tinha grandes expectativas para esta prova, por isso pensei que se já não estava em condições ideais para correr, não ia também ficar sem jantar. Não fui totalmente inconsciente e optei por comer peixe grelhado, para não ter uma digestão muito complicada.



Com uma dourada no estômago deixei a minha claque a acabar de jantar e fui para o local da partida (este ano mudaram para junto dos Bombeiros). Encontrei novamente o João e fiz o aquecimento com ele. Logo aqui vi que tinha sido má ideia jantar. Não estava mal disposto mas estava a sentir o estômago demasiado esquisito.



Aquecimento feito e fomos para a nossa zona de partida (mais uma novidade deste ano, partida por zonas de tempo). Encontrámos os amigos Sandra e Nuno e começámos a prova a correr todos juntos. De inicio ainda tentei seguir ao ritmo do João, mas ele estava muito rápido e acabei por ir ficando para trás.



Passei os primeiros quilómetros da prova à luta com o meu estômago, não ia confortável e a minha ideia era tentar minimizar o desconforto e aguentar-me até ao final da prova. Depois da voltinha inicial por uma zona mais deserta de Peniche, ao quilómetro 4 voltamos para o interior e numa viragem à direita levamos com o primeiro banho de multidão (que se mantém sempre até ao final). Era nesta zona que estava a minha claque e foi bom passar por eles para dar um ânimo extra para o resto da prova. 



Apesar de o estômago não estar a melhorar, conseguia manter o ritmo na ordem dos 05:30 min/km. Para isso muito ajudou a presença de tanta gente na rua enquanto atravessámos Peniche até chegar ao inicio da Marginal. 



Tinha ideia que a fase inicial da Marginal era a subir, mas a verdade é que praticamente nem dei pela subia. Aliás nem aqui nem na parte final da prova em que temos algum sobe e desce. Atribuo isso à minha presença no treino do João Campos - Escadinhas e Subidinhas.



Foi durante esta subida que a minha prova começou a mudar. O estômago continuava a incomodar-me mas, talvez por ter encontrado o amigo Rui Gameiro e ter ido um pouco à conversa com ele acabei por distrair-me desse problema. O Rui acabou por seguir e eu comecei consistentemente a aumentar o meu ritmo quilómetro após quilómetro. 



Durante o resto da marginal fui aumentando o ritmo e passei a sentir que afinal era capaz de fazer uma boa prova, mas sem me preocupar com tempos finais. Ao chegar à zona do Farol do Cabo Carvoeiro, sabia que vinha uma zona de sobe e desce, mas nesta altura já estava imparável. Estava a passar imensa gente e dei por mim a ir abaixo dos 5 min/km. Faltavam cerca de quatro quilómetros para o final da prova e aqui sim comecei a fazer contas. 



Tinha visto antes da prova que a média do meu Record aos 15 Km estava nos 5:23 min/km. Pensei que dado o inicio da prova ter sido mais complicado seria complicado recuperar o tempo perdido, mas a verdade é que com o passar dos quilómetros comecei a acreditar que ia ser possível, e lembrando-me de algumas palavras de incentivo da Rita fui sempre a forçar até ao final da prova. Se não chegasse ao record não ia ser por não ter dado tudo. 


Nos últimos dois quilómetros o percurso estava um pouco diferente, o que fez com que apanhássemos mais uma ligeira subida. Na altura desmotivei um bocado, é que para além da subida a zona estava também um pouco mais deserta. No último quilómetro estava novamente no percurso habitual e na zona onde se concentram a maior parte das pessoas. Estava uma enorme festa e passei pela minha claque a "voar" enquanto gritava "Record, Record" :)


Acabei a prova em sprint para um fantástico tempo de 1 hora 20 minutos e 58 segundos, ou seja menos 2 minutos e 38 segundos que o meu anterior record (obtido já este ano na corrida do 1º de Maio).



Reparei que o João Lima tinha chegado cerca de 20 segundos à minha frente e fui ter com ele. Também tinha feito uma excelente prova e ficado a apenas 10 segundos do seu record. 



Terminei a prova extremamente satisfeito, depois de um inicio complicado consegui fazer o resto da prova sempre em crescendo e terminar com um tempo que para mim foi excelente. Foi bastante satisfeito que fui ter com os meus pais, a Rita e a mãe dela para voltarmos para Lisboa. 



Não falei muito do público de Peniche ao longo do percurso, porque simplesmente não sei como o descrever. Esta prova tem de ser vivida, não há descrição que lhe faça jus. Só participei três vezes mas é das provas que mais gosto de fazer, é mágico correr à noite naquela marginal só iluminada pelas fogueiras. É uma emoção enorme passar por zonas em que está toda a gente na rua a gritar e aplaudir os atletas, desde adultos a crianças sempre de mão esticada à espera de um high5.



Peniche é uma prova obrigatória para quem anda neste mundo ou para quem acompanha. Tanto a participar como a ver é um ambiente único e que vale a pena viver pelo menos uma vez.



Obrigado Peniche e até para o ano.


Classificações:


Fotos:


A minha prova:

Triatlo de Oeiras 2015 (Super-Sprint)

Desta vez vou começar o post logo pelo fim. Está feito, sou triatleta. Onde e quando é o próximo triatlo para me inscrever?

Mas vamos voltar ao Inicio, que por sinal foi bastante cedo para um domingo. Às 06:50 estava o despertador a tocar. Foi só tomar o pequeno almoço e pegar nas coisas que estavam organizadas de véspera para sair de casa e ir ter com o João Pires.

A logística para um triatlo é um bocadinho mais complicada do que a das corridas. Por isso, queria chegar cedo para poder entrar sem fila no parque de transição e deixar as coisas arrumadas com calma. 


Depois de deixarmos tudo pronto no parque fomos ter com a Rita que tinha ido logo para a praia apanhar sol. Também aqui o chegar cedo deu jeito, já que ela conseguiu arranjar um espacinho para o chapéu de sol mesmo junto do percurso que iríamos fazer entre a água e o parque de transição.


Cerca de trinta minutos antes do inicio fomos fazer o aquecimento. Primeiro uma corrida pela areia e depois umas braçadas na água para o corpo se ambientar à temperatura. Felizmente desta vez não custou tanto a entrar. A água estava a cerca de 18º e ao mergulhar não senti a mesma dificuldade a respirar que tinha sentido no treino feito ali há umas semanas.

Quase à hora marcada fomos para a partida, onde ouvimos o treinador de um atleta a avisá-lo que estava uma corrente forte para a esquerda e que era preferível sair o mais à direita possível. 

A partida para a natação foi por vagas e era realmente visível os efeitos da corrente nos atletas que já tinham partido. 

Como se vê na minha excelente representação, os atletas já na agua em vez de seguirem a direito para a bóia formavam ali uma espécie de "balão".


Segmento 1 - Natação (Tempo 08m 29s)
Na hora de sairmos a correr para a água, consegui controlar-me e não ir feito parvo para o meio da molhada. Vá, corri um bocadinho mas deixei-me ficar na cauda do pelotão. Se fui consciente nesta parte o mesmo não posso dizer de quando comecei a nadar. 

Sem me aperceber, entrei na natação demasiado forte, pelo que ao fim de uns 50 metros já me sentia completamente ofegante e passou-me um pouco de tudo pela cabeça. Desde "não vou conseguir acabar a natação" a "vou fazer o resto a costas para conseguir respirar melhor". 

Como comecei a nadar mais rápido do que o pretendido, dei por mim no meio de mais atletas. É expectável que isso aconteça numa prova com mais de 200 inscritos, mas foi uma novidade para mim. Levei com toques nos pés e pernas e bati nos pés e pernas de quem ia à minha frente, mas felizmente sem grandes pancadas. Também passei parte do percurso da natação a engolir água salgadinha... que bom :)

Com tudo isto fui nadando até à primeira bóia, sem no entanto conseguir evitar ter de corrigir várias vezes a trajectória. A corrente estava realmente a puxar um pouco para a esquerda.

Da primeira até à segunda bóia não houve nada de especial, tirando uma situação engraçada com outro atleta em que parecia estarmos a fazer natação sincronizada. Eu normalmente respiro para a direita, e esse atleta ia do meu lado direito, mas a respirar para a esquerda. Resultado: como íamos ao mesmo ritmo, a cada braçada acabávamos os dois a olhar um para o outro. 

Chegado à segunda bóia, faltava só o regresso a terra e um pouco mais de luta contra a corrente. Mais uma vez estava a ser puxado para a esquerda, o que me ia fazer sair demasiado para o lado. 

8 minutos e 29 segundos depois de ter começado a natação estava de regresso à areia para começar a Transição 1.

Transição 1: Natação - Ciclismo (Tempo: 3m 47s) 
Saí da água completamente ofegante e cansado, como aliás é fácil perceber nas fotos que a Rita gentilmente tirou (Obrigado amor, apanhaste-me com óptimo ar!).


Ao inicio ainda tentei correr pela areia mas rapidamente parei com essa parvoíce e fui a andar, até porque da areia até ao parque de transição era sempre a subir. A meio da subida estavam os bombeiros com mangueiras a molhar os atletas, especialmente os pés o que foi excelente para tirar parte da areia. 

Ao entrar no parque de transição tirei rapidamente a camisola, touca e óculos e atirei-os para dentro do cesto. De seguida, foi pegar no dorsal, capacete e óculos já preparados de modo a ser um processo rápido. Comecei a calçar as meias (há quem faça sem meias, eu optei por não experimentar) e apesar dos pés molhados safei-me bastante bem. Também optei por calçar logo os sapatos de ciclismo e ir logo a correr com eles até à linha onde podia montar a bicicleta.

Quando já estava pronto para sair e a pegar na bicicleta, vi o Pires a chegar. Neste momento ainda tinha a esperança de conseguir acabar à frente dele.

Segmento 2 - Ciclismo (Tempo: 18m 3s)
Queria fazer um segmento de ciclismo rápido a uma média de cerca de 30 Km/h e por isso arranquei logo forte de inicio. Comecei por ultrapassar uma série de malta, mas fui sempre sozinho até ao ponto do retorno. Ou eu ia mais rápido do que os atletas por quem passava, ou os que passavam por mim iam muito mais rápido e não conseguia seguir na roda.

No retorno consegui encostar a um outro atleta com o qual segui até ao final. Não chegámos a falar mas entendemos-nos bem - ora puxava eu, ora puxava ele. Foi também depois do retorno que o Pires me apanhou.

Nesta altura éramos um grupo de 4, mas já nos últimos 2 Km não consegui aguentar o andamento do Pires e fiquei para trás. Comecei também a tentar poupar-me para não começar a corrida com as pulsações a mil.

Quase a chegar à entrada para o Parque de Transição optei por jogar pelo seguro e não me descalçar em cima da bicicleta.

Transição 2: Ciclismo - Corrida (Tempo: ???)
Ao entrar para o parque de transição esqueci-me de mudar a actividade no relógio e por isso o registo ficou meio marado. Por isso não sei ao certo quando tempo demorei mas certamente que foi mais rápido do que a primeira.

Esta transição foi bem mais fácil do que a anterior. Foi só chegar ao sitio onde devia guardar a bicicleta, "atira-la" para o ferro e muito rapidamente descalçar uns sapatos de ciclismo e calçar os ténis que já estavam com os atacadores apertados. 

Consegui fazer um transição rápida e sair apenas uns 20 metros atrás do Pires.

Segmento 3 - Corrida (Tempo: 13m 52s)
Teoricamente este seria o segmento onde eu estaria mais à vontade, mas na prática não foi bem assim.

Comecei já bastante cansado e a pensar como é que ia chegar ao fim dos dois quilómetros e meio sem ter de caminhar... Sim só 2,5 Km e eu a pensar em caminhar. 

Olhando para os números o ritmo até nem foi mau de todo (05:38 min/km) mas a sensação era a de ir no limite. E foi assim até ao ponto do retorno aos 1,25 Km.

Já só faltavam mais 1,25 Km para acabar o meu primeiro triatlo e segundo as contas conseguiria acabar abaixo dos 45 minutos. A somar a estas boas noticias comecei a sentir-me melhor e consegui aumentar o ritmo (05:10 min/km).

Fui ultrapassado por alguns atletas nesta fase e julgo que não consegui passar ninguém, nem sequer seguir no ritmo dos que passavam. Nos últimos 500 metros consegui aumentar ainda mais um pouco o ritmo (04:50 min/km), mas mesmo assim não evitei ser passado mais uma vez. Ainda tentei acompanhar mas já não dava mais.

Acabei por cortar a meta com um tempo final de 44 minutos e 24 segundos e bastante feliz por ter concretizado um sonho bastante antigo (ainda não corria e já tinha o desejo parvo de um dia fazer um triatlo).

É uma experiência do caraças. Não foi fácil - não no sentido muscular mas mais na componente cardio. Presumo que numa prova maior não seja assim, mas a sensação que me ficou desta prova é a de que fui sempre no limite e com muitos poucos momentos de descanso. 


Como resultado final deste triatlo fica a vontade de fazer um próximo e de aumentar as distâncias. 

Para quem está na duvida sobre se consegue ou não fazer um triatlo (super-sprint), eu diria para experimentarem. As distâncias são bastante acessíveis e a dificuldade normalmente está na natação, pelo menos para mim foi assim. Com alguns treinos na piscina e um ou dois no mar conseguem resolver isso.

A logistica apesar de ser mais complexa também tem a sua piada mas pode ser simplificada. Por exemplo, podem fazer o ciclismo com uma bicicleta de btt, como muita gente o faz, ou nadar com um simples fato de banho (podem é passar mais frio).

Arrisquem, vale muito a pena.

PS: quando tiver as classificações e fotos da prova actualizo o post.

Classificações:



A Minha Prova:

Natação:


Ciclismo:


Corrida: