Resumo Mensal - Outubro 2015

Outubro acabou por ser o pior mês do ano só com 31 Km feitos. Aliás fiz mais quilómetros na primeira semana de Novembro do que durante todo o mês de Outubro.

Analisando os números desde 2011 começa a ser histórico o mês de Outubro ser muito mais fraco em relação aos outros. Talvez por ser costume tirar férias nesta altura acabo por não correr tanto e essa quebra acaba por desmotivar nos tempos seguintes. Não sei bem.

A ver se nos próximos anos a tendência se mantem ou não.

Calendário de Outubro:




Número de actividades:




Número de quilómetros:


Resumo Mensal - Setembro 2015

Com tanto tempo de atraso já nem me consigo lembrar bem como correu o mês de Setembro a nível de treinos, por isso fica aqui apenas o registo estatístico desse mês

Calendário de Setembro:



Número de Actividades:




Nº de Quilómetros feitos até Setembro:


Grande Trail da Serra d'Arga 2015 - Trail Curto (23 Km)

Quase dois meses depois ainda se pode publicar o relato de uma prova?

Às 7h da manhã de Domingo estava o despertador a tocar. Era hora de levantar e começar os preparativos para a segunda parte desta aventura. A prova de Sábado tinha corrido bem, mas mesmo assim estava já a contar que os 23 Km de Domingo fossem mais complicados que no ano anterior.

Tudo preparado e siga para a Montaria onde a Rita me ia deixar. Chego lá, saio do carro despeço-me e só depois de ela ir embora é que começo a ver se tenho tudo comigo. Não tinha... Faltava o dorsal! Começo num sprint parvo pela estrada abaixo enquanto vejo o carro a ir embora, até que numa curva mais à frente havia um pouco de trânsito e lá me consegui chegar ao carro. Serviu de aquecimento bem intenso.

Já com o material todo, fui para a partida onde encontrei novamente o Rui Gameiro e um amigo. Acabámos por ficar à conversa até ao início da prova.


A parte inicial da prova foi diferente do ano anterior - em vez de irmos logo para o rio Âncora, começámos a subir dois quilómetros com cerca de 200 metros de desnível e depois descemos novamente para a Montaria no típico piso de Arga: Calçada Romana. Esta primeira subida deu logo para perceber que a perna direita não estava recuperada do dia anterior. Estavam ambas doridas dentro do normal, mas a direita estava mais presa do que o costume, e assim iria continuar até ao final.



Aproveitei bem o abastecimento e segui. A partir daqui era terreno conhecido. Se por um lado era bom saber o que me esperava, por outro preferia ir na ignorância. Ora a correr ora a caminhar segui bem até às margens do Rio Âncora. Esta zona aparece depois de descermos ao ponto mais baixa prova, e quase sem darmos por isso vamos subindo e subindo, ora de um lado do rio ora de outro e sempre na companhia de pequenas cascatas e lagos. É, para mim, a zona mais bonita da prova e um dos motivos que me levou a optar pela distância dos 23 Km (A prova de 33 Km não passa aqui).


Foto "roubada" ao Rui Gameiro
A constante subida e a "escalada" das margens do rio iam-me massacrando as pernas e quando saímos da zona de árvores para entrar na parte rochosa da serra já me sentia muito cansado. Confesso que este ano não apreciei tanto esta zona como em 2014, e o facto de saber o que ainda me faltava até terminar não ajudou nada. Já estava bastante cansado e sabendo o que me faltava só me vinha à cabeça "como é que vou conseguir terminar?"


No final da subida somos "presenteados" com uma área mais plana, onde ainda tentei voltar a correr, mas já estava a ser complicado. Corria uns 400 metros e tinha de voltar novamente a caminhar. Aqui e tal como no dia anterior seguia sozinho, não via nem ouvia ninguém à minha volta até que quando começo a descida para o ultimo abastecimento começam a passar os primeiros atletas dos 53 Km por mim. Portanto enquanto eu fiz cerca de 15 Km eles fizeram cerca de 45.



Na descida para o último abastecimento comecei a pensar no que devia fazer. Estava já muito cansado, o estômago estava a começar a ficar esquisito e tinha consciência do que ainda ia ter de subir e no calor que estava. Comecei a pensar se seria mais prudente ficar no abastecimento. 


Fiquei algum tempo no abastecimento, mas acabei por seguir caminho, tentei enganar-me a dizer que "só" faltava a ultima subida e que depois era a descer (apesar de não ser muito mais fácil fazer aquela descida).



No início da subida passou-me várias vezes pela cabeça voltar para trás para o abastecimento e ficar lá, mas a parte que me forçava a continuar ganhou sempre e a dada altura lembro-me de pensar que já tinha subido tanto e não valia a pena voltar para o abastecimento agora, restava continuar a arrastar-me pela serra acima.

Estava imenso calor e esta parte final é toda muito exposta não há qualquer zona com sombra. O estômago não estava bem, mas tentei sempre forçar-me a beber água. Tinha a sensação de querer vomitar, mas estava com medo do estado em que ficaria se o fizesse. Perdi a conta ao número de vezes que parei e me encostei a uma rocha para descansar um pouco. 


Até que tive uma paragem mais prolongada. Mais ou menos a meio da subida estava um atleta deitado no chão, já tinha vomitado várias vezes e estava em bastante mau estado. Com ele estava um outro atleta a tentar dar algum apoio. Quando chegámos lá revezámos o "apoio" que com ele estava já há uns 30 minutos e ficámos nós. Ligámos para a organização e fomos ficando por ali tentando ajudar até que apareceram três raparigas que estavam também a participar e que por sorte eram socorristas e ficaram com ele. 

Esta zona da prova era complicada, não sei como é que algum apoio da organização iria conseguir chegar ali sem ser a pé. No final da prova encontrei por acaso numa ambulância o atleta que estava a precisar de apoio. Já estava bem melhor e contou-me que a dada altura e sem a organização ter aparecido foram dois colegas de prova que pegaram nele e ora em ombros ora às cavalitas o levaram subida acima até à estrada onde devia estar a ambulância. Fantástico!!!

Se eu também já não estava bem, este episódio deitou-me ainda mais abaixo. Fiquei com receio de o estômago não aguentar até ao final, de desidratar e ficar sem condições para chegar ao fim. Mas com a subida já a meio não ia voltar para trás.

A dada altura entramos numa fase um bocadinho plana e pensamos que acabou finalmente a subida, mas é pura ilusão! Eu já sabia que iam aparecer umas bandeirinhas para a esquerda e que o caminho era por enormes blocos de granito extremamente inclinados. Se já andava a parar imensas vezes aqui dava três ou quatro passos e encostava-me durante um ou dois minutos.


Com a chegada ao posto de vigia (?) só faltava descer. Tinha tido muitas dificuldades nesta descida o ano passado e este ano estava ainda mais cansado. Estranhamento apesar de ter demorado mais ou menos o mesmo tempo na descida não me pareceu tão complicada como em 2014. Talvez tenha sido por conhecer o tipo de piso que "facilitou".


A meio da descida comecei a convencer-me que estava feito, era só ter cuidado para não cair e com mais ou menos tempo ia terminar esta dupla aventura. Pela primeira vez ia fazer 2 corridas com esta dureza e com um intervalo de tempo curto. 

No final da descida estava a Rita há espera e tal como na Maratona de Paris acabei por me emocionar um pouco, depois de tantas horas e de tanto esforço consegui concretizar o objectivo que tinha. 


Foram 5 horas e 23 minutos para os 23 Km de prova com quase 1200 metros de Desnível Positivo, mas terminei e trouxe um colete novo para casa.

Este tempo tem a curiosidade de ser o tempo total de prova, que correspondeu a um "Moving Time" de 4 horas e 21 minutos. O que significa que em toda a prova entre abastecimentos e paragens para descansar perdi cerca de 1 hora. 


A Minha Corrida:

Grande Trail Serra d'Arga 2015 - Sunset Trail

Este ano para fazer "pandam" com as duas provas que ia fazer, tirei também dois dias de férias antes das provas e por isso quarta-feira ao final do dia estávamos a caminho de Arcos de Valdevez.

Estes dois dias deram para descansar, passear, vindimar, e fazer outro tipo de provas:




Sábado a meio da tarde saímos de Arcos de Valdevez onde deviam estar uns 30 e alguns graus e fomos para Caminha onde ia começar e terminar o Sunset Trail. A prova era de trail sim, mas de Sunset teve pouco. O tempo não podia estar mais diferente. Muito nevoeiro e frio (estavam uns 18º) seria a nossa companhia durante parte da prova.

Perto das 19 horas fui para a partida onde encontrei o amigo Rui Gameiro que também ia fazer as mesmas duas provas que eu. Depois do briefing do grande Carlos Sá e da contagem decrescente foi dada a partida. 


Começámos por uma voltinha pelas muralhas, passámos novamente na zona da partida e começamos a subir para fora de Caminha. Subir era a palavra chave já que foi o que fizemos durante os primeiros 5 Km de prova. Primeiro em alcatrão no meio de casas, depois finalmente com uma incursão num bonito mas curto pedaço de single track e depois em estradão que nos ia levar ao Miradouro de Santo Antão. Foi nesta subida que passámos para cima das nuvens e nos deparámos com uma paisagem fantástica. 

Para a direita, um mar de nuvens cobria toda a zona onde devia estar o mar, cortado de vez em quando por um monte mais alto. Para a esquerda, uma enorme lua cheia a começar a aparecer no monte que íamos subir. Simplesmente lindo!




Depois de uma curta paragem no abastecimento tivemos cerca de um quilómetro e meio mais planos num estradão no cimo do monte que nos levou a passar perto das eólicas (nunca tinha calhado fazer uma prova que passasse em eólicas). Depois desta zona mais calma onde acabei por me juntar a um grupo de três outros atletas chegou a altura de começar a descer. Já com o frontal ligado, chegámos a uma zona em que não há propriamente um trilho, e quando olhei para baixo confesso que senti algum medo. A descida era extremamente inclinada e em cima de pequenas pedras todas elas soltas. Os meus companheiros desciam com muito mais confiança que eu e rapidamente deixei de os ver. 

Passo a passo e bastante devagar acabei por chegar lá abaixo em segurança. Para terem uma ideia em 1 Km de descida com -125m de desnível demorei mais tempo do que a fazer 1 Km  na subida anterior com 103m de desnível


Terminada esta parte mais técnica a descida continuava mas agora em estradão o que me permitiu voltar a correr novamente. Quando terminei de descer a encosta da serra já seguia sozinho apesar de ir ouvindo barulhos do grupo que seguia atrás de mim. Foi nesta altura que entrei no trilho de que mais gostei em toda a prova - com uma largura de cerca de três metros, mas com as árvores baixas e a fazerem um arco por cima de nós, inclusivé obrigando-me a baixar em algumas zonas. 

Foi uma zona que me deu um gozo enorme a fazer. Apesar de ser necessário ir com bastante atenção ao chão por causa das raízes, dava para ir relativamente rápido e tanto era necessário desviar-me de uma raiz como de uns ramos mais baixos. Isto, feito sozinho e de noite só com a luz do frontal, foi dos melhores momentos da prova.

À saída do trilho estava o Carlos Sá (pelo que a Rita me disse tinha ido a acompanhar o primeiro classificado) que disse "vá agora é a descer" e realmente à saída do trilho se fosse para a direita era a descer, mas o track mandava-me para a esquerda. Fiquei meio na duvida até que ele diz "Estou a brincar, claro que é para subir". Lá está a regra não escrita nas provas de trail: Em caso de duvidas é sempre para onde está a subida!


E que subida! Primeiro ainda no meio de árvores e pedras que me pareciam cursos de água secos, e depois novamente numa encosta exposta da serra pelo meio de grandes blocos de granito. Desta vez na encosta virada para a Serra d'Arga o cenário era fantástico. Lua cheia no alto, ao fundo e espalhadas pela serra as luzes das várias aldeias, com o nevoeiro sempre presente a cobrir parte do cenário. 

Esta subida foi feita de forma lenta, as pernas já começavam a pesar e no dia seguinte ia ter mais 23 Km para fazer. Depois de fazer o quilómetro mais lento da prova (18m 41s com 175m de desnível positivo) cheguei novamente ao miradouro onde estava o mesmo abastecimento. Daqui até ao final era sempre a descer.

Primeiro fomos pelo alcatrão numa descida bem inclinada que massacrou o que sobrava das pernas e depois pelo caminho que já tínhamos feito no início da prova. A particularidade agora era a dificuldade em ver as fitas, não porque o percurso estivesse mal marcado ou que não houvesse elementos reflectores, muito pelo contrário, as marcações estiveram sempre impecáveis. O problema era estar a correr no meio do nevoeiro e de noite. Se acendia o frontal não via nada do caminho, devido à luz "bater" no nevoeiro; se o desligava não via as marcações. 

Fiz parte do caminho nesta zona com o frontal desligado baseando-me mais no track que levava no relógio e ligando o frontal só de vez em quando. Acabei por não me enganar e 2 horas e 16 minutos depois de partir de Caminha estava de volta e a passar a meta onde a Rita estava à minha espera :)

Ao ver as classificações fiquei surpreendido pela pequena quantidade de participantes (cerca de 100) nesta prova. Pessoalmente foi das provas que mais gozo me deu fazer. Prova muito bem marcada, as fitas eram bem visíveis e a parte reflectora grande o suficiente para se ver bem, mesmo ao longe. Achei o percurso muito desafiante e divertido e, apesar de nocturno, com paisagens fantásticas (a lua cheia ajudou). 

Não sei se a opinião de quem participou é igual à minha mas eu gostei realmente de fazer estes 16 Km, e se voltar a Arga em 2016 e esta prova continuar a existir, gostaria de participar novamente.

Claro que no dia seguinte paguei por ter participado nesta prova, mas não me arrependo nada. O dia seguinte será tema para o próximo post.

Classificações:


A Minha Corrida: