6º SkyRoad Aldeias do Xisto (Mediofondo)

No fim de semana passado, participei na segunda prova de ciclismo do ano, o SkyRoad Aldeias do Xisto. Praticamente sem treinos para uma prova destas, ia com a expectativa que fosse mais acessível que a da Serra da Estrela,  o que felizmente se comprovou.

Sábado de manhã fui com os meus pais e a Rita para Arganil onde íamos passar o sábado e a noite para Domingo. Para não andar para trás e para a frente deixei o levantamento do dorsal para o dia da prova. Ia obrigar a levantar-me mais cedo mas ao menos não andava a "fazer piscinas" para a Lousã.

Às 6h da manhã e depois da típica noite mal dormida estava o despertador a tocar. Com praticamente tudo arrumado de véspera foi só tomar o pequeno almoço e sair de casa. Estava frio! 

Ao chegar à Lousã levantei o dorsal e despedi-me de parte da claque. Eu ia para a minha box de partida e eles iam para o cimo da Serra esperar que eu lá passasse. A outra parte da claque viria de Arganil umas horas mais tarde, e iam esperar-me mais na parte final do percurso.


Tinha levado o colete e os manguitos já a contar com tempo fresco mas mesmo assim ainda sentia frio, especialmente durante os primeiros quilómetros.

A prova começou com andamento controlado durante cerca de 7 Kms, ou seja ia um carro na frente do pelotão a marcar o ritmo. Quando começou a subida de 20 Km que nos ia levar ao cimo da Lousã, começou a prova a sério e era cada um por si.

Claro que para mim o andamento controlado não fez qualquer diferença. Apesar de ter partido na segunda box, fui rapidamente ultrapassado e fiquei na parte final do pelotão, local onde me deixei ficar a prova toda.

A subida da Serra da Lousã é bastante bonita, aliás estes 20 Km foram praticamente os únicos da prova em que tínhamos vegetação verde à volta. Todo o resto do percurso estava desolador.

A minha subida, aliás, toda a minha prova, foi feita sempre a tentar manter uma cadência alta. Ou seja prefiro pedalar mais vezes mas numa mudança mais leve, do que pedalar menos mas ter de fazer mais força nos pedais. Esta ultima forma de pedalar obriga a usar mais força e desgasta os músculos mais rapidamente.

Eu, como, queria atrasar ao máximo a fadiga, optei por ir desde o inicio a ritmos leves, mesmo que isso implicasse usar a mudança mais levezinha da bicicleta: 34x32 logo na primeira subida.

Já agora 34x32 quer dizer o número de dentes de pedalaira e da cassete respectivamente. 34 dentes na pedaleira quer dizer que ia na pedaleira mais pequena. e 32 na cassete quer dizer que ia na maior. 

A subida não tinha nada a ver com as da Serra da  Estrela, pendentes entre os 4%, e 6% e algumas rampas que não devem ter passado dos 8 / 9% de inclinação. Uma subida longa mas acessível!

Fiz a subida sem problemas tirando a parte final. O roadbook da prova indicava que havia um limite horário para passar no topo da serra às 10:15 (não sei se chegou a haver cortes). Nos últimos quilómetros da subida, e pelas minhas contas ia ser mesmo no limite, como tal tive de aumentar um bocadinho o ritmo. 

Passei na contagem de montanha de 1ª Categoria da Serra da Lousã exactamente as 10:15 depois de cerca de 1 hora e 30 minutos de subida.

Tal como combinado no alto da serra estavam os meus pais e a Rita, cheios de frio, mas a fazer uma grande festa quando me viram. Obrigado :)


Ao virar para o outro lado da serra o cenário mudou completamente. O verde mudou para castanho e preto, por quilómetros a perder de vista, Impressionante!

Aproveitei a descida para tomar um gel e descansar as pernas. A descida foi feita de forma bastante rápida (mas sempre a travar muito, mãe e pai) e pouco tempo depois estava no abastecimento em Castanheira de Pera. 

O abastecimento estava ao lado da famosa Praia das Rocas. Uma zona de piscinas com bastante bom ar e que me deixou com vontade de lá voltar para as experimentar.

Como ainda não tinha fome e para perder pouco tempo, havia outro tempo limite mais à frente, saí rapidamente do abastecimento. Arrependi-me mais tarde quando comecei a sentir fome.

Logo depois de Castanheira de Pera apareceu outra subida, que também ultrapassei sem problemas. As pendentes eram novamente bastante acessíveis, e a subida era curta: 5,8 Km a uma média de 3% levaram-me à contagem de montanha de 3ª Categoria do Alto do Valinho.


Até ao momento estava a sentir-me bastante bem, começava a ficar cansado mas já estava quase tudo feito, a moral estava em alta.

Ao virar para a Nacional 2, para alem do vento forte que se sentia apareceram também aquelas terras com nomes engraçados: Venda da Gaita e Picha foram alguns dos locais por onde passei.

Antes de começar a ultima subida do dia, parei em mais um abastecimento da prova para encher os bidons de água. Foi também aqui que encontrei os meus pais.


Ao fazer a ultima subida do dia comecei a sentir bastante fome e arrependi-me de não ter perdido mais tempo no primeiro abastecimento. Quis continuar para acabar mais rápido e agora isto. Lição aprendida!

A subida para a Portela do Vento era de segunda categoria e durou 10 Km com uma pendente média de 4,4%. Aqui já ia sempre no andamento mais leve e tentava manter-me com uma boa cadência. Acabei por parar duas vezes nesta subida. Não por cansaço claro... a primeira foi para guardar o colete e a segunda para tirar uma foto. Não foram paragens para descansar!


Quase uma hora depois de começar a subida cheguei ao fim. Tinha 70 Km de prova e agora era praticamente sempre a descer até ao final. 

O ultimo abastecimento da prova estava no final da subida e aqui sim perdi tempo. Ainda por cima havia Pretzel's. Agarrei-me a eles como se não houvesse amanhã!

Os 10 Km's seguintes foram de uma rápida descida, no final da qual estava a segunda parte da minha claque. A minha madrinha e o Natalino, estavam já há umas horas à espera que eu passasse por ali. Quase que não me viam, isto de ter um capacete e óculos de sol é um bom disfarce.

Os últimos 20 Km da prova foram os que mais gozo me deram a fazer. A descer, mas com uma inclinação suave o que permitia ir rápido e pedalar ao mesmo tempo. Isto numa estrada com curvas não muito fechadas, dava para andar a bom ritmo controlando só um pouco a travagem nas curvas.

Era daquelas estradas em que dá para fazer mais rápido de bicicleta do que de carro, e que gozo me deu a fazer :)


Já a aproximação final à Lousã não me deu gozo nenhum. Fomos por uma estrada nacional (N342), mas daquelas largas em que os carros passam muito muito rápido ao nosso lado. Acho que podiam arranjar uma alternativa que não obrigasse os ciclistas a passarem por ali.

Passei na meta com 4h e 58m de andamento e um total de 5h17m de prova.

Acabei extremamente satisfeito. Depois da paragem de 5 semanas, estive quase para não vir à prova. Mas ainda bem que vim! Apesar da muita distância de subida (40 Km em 102 de prova) nunca foram rampas muito inclinadas o que ajudou a não me desgastar tanto, assim como a parte final quase toda a descer.

Apesar da satisfação por ter terminado a prova, acho que lhe faltou qualquer coisa. Se calhar não é comparável, mas na prova da Serra da Estrela a sensação ao terminar foi de ter feito algo mais "épico".

Para terminar, um muito obrigado à minha claque de apoio que passou frio e bastantes horas de espera para me verem a pedalar em cima de uma bicicleta.


A minha prova:

Estou de volta

Pois é, caros 3 ou 4 amigos leitores deste blog, estou de volta!

Depois do problema com a bicicleta e a perna no Triatlo de Oeiras tive uma paragem bem superior ao que estava à espera. 

Se as coisas tivessem sido bem feitas no centro de saúde onde fui, logo no dia do acidente, podia ter corrido melhor. Só depois de ser acompanhado por outra enfermeira é que isto começou a melhorar, mas o mal estava feito.

No total foram 5 semanas com a perna a cicatrizar muito lentamente, a trocar o penso, dia sim, dia não, e desportivamente sem fazer praticamente nada.

Não vou colocar nenhuma foto visível, mas têm neste link a evolução da ferida na perna ao longo do tempo. 

Estas 5 semanas de paragem deram cabo da minha condição física. Já voltei a andar de bicicleta e a correr, mas noto uma diferença abismal. 

Correr a 6:30 min/km, neste momento, é mais custoso do que correr séries a 4:30 há uns meses atrás. Após o primeiro treino, 44 dias depois, andei durante 2 dias com as pernas todas doridas. 

Pedalar, em plano tudo bem. Assim que a estrada empina, é ver a pulsação a subir e a velocidade a descer muito. Qualquer subidinha parece o Adamastor!

Tenho muito trabalho pela frente para retomar a forma que tinha e, de preferência, melhorar, especialmente, tendo em conta a Maratona de Sevilha, em Fevereiro.

Mas, antes disso, tenho a última prova de ciclismo deste ano: Skyroad Aldeias do Xisto, versão Mediofondo. 102 Kms com 2000 d+.
Nas 3 semanas antes da prova fiz alguns treinos em casa, e 2 treinos longos na rua, de 107 km e 75 km, respectivamente. Em nenhum deles me aproximei sequer da altimetria que a prova vai ter.

1ª Subida

Se, por um lado, as três subidas grandes parecem mais acessíveis do que na Serra da Estrela, por outro, o percurso é muito mais em sobe e desce, o que deve ser um "parte pernas" muito pior. 

2ª Subida

Apesar de todas estas condicionantes, decidi ir à mesma à prova!

3ª Subida

Vou alinhar na partida e depois logo se vê. Se chegar ao fim, óptimo, se chegar a um ponto em que não consigo continuar, desisto da prova, encosto ao lado e ligo ao "carro família vassoura" para me ir buscar. Sem dramas!

Para me motivar, olho para as subidas e tento convencer-me que não existem rampas como as do Adamastor e que a parte final é quase toda a descer. Penso que era bom também terem o mesmo bolo que existia nos abastecimentos do SkyRoad Serra da Estrela (era mesmo, mesmo bom!).

Depois desta prova vou-me dedicar quase exclusivamente à corrida e à Maratona. Não será exclusivamente por outros motivos, mas isso é tema para outro post :)

30º Triatlo de Oeiras (Sprint)

Foi no triatlo de Oeiras em 2015 que fiz a minha estreia nesta modalidade. Nesse ano participei na prova de Super Sprint e adorei. Em 2016 estava inscrito para participar no Sprint, mas uns problemas físicos nos dias antes impediram-me de estar presente. Este ano pude finalmente fazer a "prova grande" de Oeiras, mas se calhar mais valia ter ficado em casa.


Cheguei cedo ao local da prova e consegui deixar a bicicleta num sitio onde tinha boas referências para a encontrar ao sair da água (em frente a 2 palmeiras). Com tudo arrumado no parque fui ter com a Rita à praia.

Depois de vestir o fato e dar umas braçadas para me ir habituando à temperatura da água fui ver a partida da prova feminina que seria dada 10 minutos antes da minha.

Elas arrancaram todas muito bem mas ao chegar à zona da primeira bóia algo de estranho se passava. Estava uma corrente de tal forma forte que tinham sido todas levadas para a direita antes de ultrapassarem a bóia. E pelo que se via da areia, a dificuldade para a contornar estava a ser enorme.

Soube mais tarde que houve imensa gente a ser recolhida de barco junto à segunda bóia, a corrente estava a querer levar muita gente para Carcavelos.

Já avisados do estado da água, praticamente todos os homens se encostaram o mais possível à esquerda para não se ter de lutar tanto contra a corrente

Segmento 1: Natação (11:36)
Como estava tanta gente em prova, assim que deram a partida deixei o resto do pessoal ir todo a correr e fui a caminhar para a água. Queria evitar a confusão inicial dentro de água, mas não sei se esta também foi a melhor opção já que para entrar na água tinha imensa gente à frente.

Fiz o percurso até à primeira boia sem grandes dificuldades e felizmente não senti a corrente muito forte. Aliás o que senti naquela zona foi uma diferença grande na temperatura da água, estava mais quente do que no resto da praia.

Entre a primeira e a segunda boia a dificuldade maior foi a ondulação, mas também consegui fazer este pedaço do percurso em boas condições.

No regresso à areia estava preocupado que a corrente me levasse para a zona das rochas do forte e por isso tentei apontar ao meio da praia em vez de ir a direito para a zona da saída. Esta foi a parte mais complicada e confusa da natação. Muita gente na água fez com que tivesse de parar de nadar por diversas vezes. A parte boa foi conseguir sair da água sem ter ido parar ás rochas ou a Carcavelos.

O estranho no final deste segmento foi o meu tempo 11:36. Cerca de 4 minutos mais rápido que em Peniche, o que não faz qualquer sentido. Estou praticamente à um mês sem treinar natação, não acredito que tenha feito este segmento a um ritmo de 1:38 min/100m. Ou o percurso estava mal medido ou a corrente acabou por ajudar mais do que atrapalhar.

Transição 1 - Natação - Ciclismo (04:50)
O parque de transição nesta prova está um pouco longe da saída da água e ainda por cima é sempre a subir, por isso acabei por o fazer metade a correr metade a caminhar. Tirei o fato sem problemas e peguei na bicicleta para sair como em todas as outras provas.

Ao passar a linha onde se pode montar a bicicleta, e para não ficar parado no meio a atrapalhar quem queria sair encostei-me à direita para montar a bicicleta.

Com o pé esquerdo já encaixado, e o pé direito a começar a dar o impulso para arrancar, um outro atleta, ainda com a bicicleta pela mão, atravessa-se completamente à minha frente. Resultado: travo, tento não cair, com um pé ainda encaixado e o outro no chão, ando com a bicicleta meio aos saltos e enfio a pedaleira pela perna direita a dentro.

Olho para os estragos e não tinha bom ar! Havia óleo, sangue, (mas não estava a "jorrar") e a zona que a pedaleira "comeu" tinha a pele levantada mas mais ou menos a tapar o corte. Mesmo com a perna assim decido arrancar e ver como é que a perna se ia comportar ao pedalar.

Isto foi tudo muito rápido e a decisão de continuar e ver melhor os estragos mais tarde, foi logo a primeira coisa que me veio à cabeça.

Segmento 2: Ciclismo (41:58)
Os primeiros metros do ciclismo foram passados a tentar ver melhor como estava a perna. Não sentia dor ao pedalar, nem sentia que estivesse a forçar o corte. Mesmo com duvidas se seria melhor parar e ir aos bombeiros acabei por optar por continuar a prova e fazer nova avaliação quando fosse para a corrida.

Mesmo não estando com dores nem com a sensação de ir em esforço, já não consegui fazer a prova descansado. Estava preocupado com o corte e extremamente irritado com o que aconteceu.

Numa prova com tanta gente foi relativamente fácil encontrar grupos que tinham o mesmo andamento que eu. Isto fez com que fizesse praticamente toda a prova na roda de outros ciclistas. O grupo acabou por se desfazer já no regresso durante a subida do Alto da Boa Viagem, e desde ai até regressar ao parque de transição fui saltando de roda em roda, mas sempre grupos de 2 ou 3 ciclistas.

Apesar de tudo isto consegui fazer uma boa média neste segmento: 32,2 Km/h

Transição 2: Ciclismo - Corrida (01:37)
O objectivo nesta transição não era demorar pouco tempo. Era sim olhar melhor para os estragos na perna e decidir se continuava ou não.

O corte na perna estava igual, não estava a sangrar, mas continuava com um bocado mau aspecto, principalmente a pele meio levantada uma vez que a pedaleira entrou de lado. Pensei em desistir da prova. Mas por outro lado, para poder ir embora, para o centro de saúde ia ter de esperar à mesma para tirar tudo do parque de Transição.

Mais uma vez decidi continuar e ver como é que me sentia ao correr, se estivesse mau parava mesmo. Troquei apenas o chip de perna para não estar com a fita a roçar naquela zona.

Segmento 3: Corrida (30:32)
Ao começar a correr, tal como no ciclismo, não senti qualquer esforço ou dor e, por isso fui continuando, mas mesmo assim optei por ir mais devagar do que o costume.

Sem grande história fiz o segmento de corrida a uma média próxima dos 6 min/km, e acabei por cortar a meta com um tempo final de 1:24:19.

Conclusão:
Assim que cortei a meta perguntei a um voluntário onde era o posto médico ou bombeiros. "Deve ser para ali naquelas tendas". Não era! 

É realmente bastante útil ter alguém a dar apoio a uma prova que não sabe pelo menos onde é que estão os Bombeiros. Acabei por os conseguir descobrir na outra ponta do Parque de Transição e pedi para me darem uma vista de olhos na perna. Acabaram por limpar a ferida mas ia ter de ir ao centro de saúde saber se devia ou não levar pontos.

No centro de saúde, acharam que não eram preciso pontos, limparam um pouco mais a ferida e sai de lá com uns adesivos e um penso grande por cima do corte. Se acharam bem ou mal não sei, porque não sou médico nem enfermeiro, mas 5 dias depois ainda era este o aspecto do corte:


Quase duas semanas depois da prova continuo com a perna em lento processo de cicatrização, a trocar de penso de 2 em 2 dias, e sem fazer qualquer desporto. Obrigado pelas férias forçadas caro triatleta da transição 1!!!

E com os 100 Km do  Mediofondo das Aldeias do Xisto a pouco mais de um mês de distância, não sei como é que vai ser.

A minha Prova:

SkyRoad Serra da Estrela - MedioFondo 2017

Sexta feira ao final do dia estava finalmente na hora de meter a bicicleta dentro do carro e arrancar para a Serra da Estrela. De sexta para sábado fizemos uma paragem no "sprint intermédio" de Arganil em casa da minha madrinha - Casa do Vale. Sábado de manhã continuámos a viagem para Cativelos que seria o quartel general para a prova.

Nesse mesmo dia, à tarde, fomos a Manteigas levantar o dorsal e ver a feira da prova. Ao percorrer a estrada que liga Gouveia a Manteigas ia ganhando um novo respeito pela Serra. Já lá tinha passado antes, mas desta vez ia a pensar "Amanhã vou pedalar aqui... a Serra parece maior que das outras vezes".


Na feira da prova aproveitei para comprar um colete, no qual já andava de olho, e que me deu imenso jeito no dia seguinte. Comprei também um protector solar desportivo do qual, para já, depois de o ter usado durante a prova, fiquei fã, uma vez que mesmo depois de cinco horas em cima da bicicleta não acabei a parecer uma lagosta.

Domingo, dia da prova, estava o despertador a tocar às 6 da manhã. A ideia era sair de casa pouco antes das 7, para ter tempo de fazer a cerca de uma hora de percurso até Manteigas, com calma. Correu tudo como planeado e deu logo para ver que o tempo do lado de Seia não estava grande coisa, ao contrário de Manteigas onde estava um sol fantástico.

A Rita deixou-me na estrada perto de Manteigas e desci o que faltava de bicicleta até ao local da partida.

A compra da camisola da Team Fenix permitia-me sair da primeira box de partida, mas como optei por levar o equipamento do Sporting tive de partir da quarta box, que ficava mais ou menos a meio. Dirigi-me para lá e esperei.

Nunca tinha estado num grupo tão grande de ciclistas e estava com algum receio do momento do arranque. Entre encaixar os pés nos pedais e começar a pedalar devagarinho no meio de tanta gente no pára-arranca estava com receio de eventuais toques que me mandassem ao chão logo no início. Felizmente correu tudo bem!

Depois de uns 15 minutos de atraso e de saber que cortaram a parte inicial com cerca de 7 Km de andamento controlado em Manteigas, foi dada a partida ao som da Conquest of Paradise dos Vangelis. Querem música mais épica para o momento da partida? Confesso que ainda me emocionei um pouco ao passar na partida e dar início à minha aventura.

A primeira subida ia levar-me de Manteigas até a zona das Penhas Douradas. Rapidamente fui sendo ultrapassado por outros ciclistas, mas não ia preocupado. Segui ao meu ritmo, sempre bem disposto, a curtir a paisagem e o ambiente.

Nunca tinha subido vinte quilómetros seguidos, e gostei. A subida ia sempre a uma média suave, conseguia manter uma cadência certinha e ainda ter mais duas ou três mudanças para usar. Tentei gerir a subida de maneira a que fosse com a sensação que se quisesse podia esticar-me mais um bocado mas que era importante deixar esse bocado de reserva.


Ao fim de uma hora e pouco estava a primeira subida ultrapassada.

Ao chegar lá acima, e ainda antes de começar a descer para Seia, tive de parar por duas vezes, pois com o aumento da altitude e da velocidade comecei a sentir algum frio.

A primeira paragem foi para vestir o colete. Um pouco mais à frente e já a entrar pelo nevoeiro, parei novamente para vestir os manguitos, e ainda bem que o fiz. A descida para Seia estava complicada, a temperatura caiu de uns 22º durante a subida para 14º, e foi feita com um forte nevoeiro onde por vezes não se via mais de 5 a 10 metros à frente. Quando o nevoeiro começou a levantar deu para me esticar um bocadinho mais na descida e tirar mais gozo dela.


Na passagem por Seia, parei no abastecimento, que achei bastante bom, entre amendoins, sandes e batatas fritas, havia um bolo (Bolo de Loriga) que era uma maravilha. Só por isso já tinha valido a pena a primeira subida!

Depois de um telefonema para a Rita, arranquei novamente para a segunda parte da prova.

Passado pouco tempo, passo por um ciclista que não ia na prova mas ia equipado à Sporting, da cabeça aos pés, e ao passar por ele digo "Força Sporting!". Ele acena olha para mim, vê que também eu tinha o equipamento do Sporting e dá-me um dos bidons do Sporting que tinha com ele. "Para combinares com o equipamento!". Fiquei surpreendido, agradeci e acabei por seguir um bocado à conversa com ele. Acabei por descobrir que fazia parte do staff da equipa Sporting-Tavira :)

A primeira parte da subida após Seia era mais inclinada que a de Manteigas, mas ainda conseguia ir a um bom ritmo e sem grandes dificuldades, apesar de já só me restar uma mudança mais leve para usar. Até que cheguei à entrada do famoso Adamastor.


O Adamastor é uma subida com cerca de 10 Km e uma percentagem média de 8% na, salvo erro, estrada de São Bento. Não sei como terá surgido a utilização deste nome, mas posso garantir que é bastante adequado às rampas que a estrada apresenta.

Assim que começo o Adamastor passam por mim alguns ciclistas que achei serem os primeiros do Granfondo. Primeiro um ciclista isolado e depois um grupo de uns dez, a um ritmo bastante mais rápido que o meu. Impressionante!

Ia em rampas mais inclinadas, e a achar que estava a ser difícil mas que a manter-se assim não era muito mau. Mas a dada altura apareceram os primeiros avisos de rampas a 14% e tudo mudou!


Nunca tinha feito nada assim, pelo menos durante tanto tempo seguido, com aquela percentagem de inclinação. Horrível, horrível, horrível! Ia a cerca de 7 km/h, chegando ao ponto de ir aos esses na estrada, tudo para tentar não pôr o pé no chão, apesar da vontade de o fazer ser cada vez maior.

Tenho ideia de que a dada altura a subida aliviou ligeiramente, pelos vistos, olhando agora para o gráfico. Até teve uns metros de descida apesar de eu não me lembrar deles.

Sei que a subida voltou a empinar para uns 12 ou 14% e que nas placas na estrada, para além da percentagem de inclinação dizia 2 Km. Eu bem tentei mas já não dava mais. Ia a 5 Km/h com uma cadência de pedalada de 40!!! Olhava para a frente e via a estrada bastante inclinada, olhava à volta e só via montanhas bem altas onde no cimo estava uma estrada. Pensei "não pode ser por ali, é demasiado acima em relação ao ponto onde estou", mas a verdade é que via cabeças a passarem por lá!

Acabei por ter de pôr o pé no chão e ir a empurrar a bicicleta. Não me lembro da última vez em que tive de fazer isto. Acabei por fazer cerca de 1 Km a pé!

Quando montei novamente estava perto do abastecimento (mais bolo de Loriga nham nham) e cerca de 500 metros depois do abastecimento estava o final do Adamastor. Foi também aqui que estavam a Rita e a Tatiana já há bastante tempo à minha espera.

Neste ponto estava também um abastecimento de água dos Bombeiros e consta que toda a gente que lá parava só dizia "FOD*-**"! Foi aqui que eu disse "Já estou arrependido de me ter inscrito também na prova das Aldeias do Xisto" ao que um companheiro ciclista que também estava no abastecimento diz "É pior que esta, não são subidas tão longas, mas tem mais sobe e desce"... Foi animador (not)!

Faltavam cerca de oito quilómetros para o final. Supostamente estes 8 Km finais já seriam mais fáceis, inclusivé com alguns momentos de descida, mas eu já estava de rastos e tudo me custava a fazer. Foi mais ou menos nesta altura que vi pela primeira vez a Torre. Ainda lá ao fundo, mas foi o suficiente para me emocionar novamente e convencer-me que ia conseguir.


Estes quilómetros finais acabei por fazer na companhia da Rita e da Tatiana, que iam passando de carro, paravam, gritavam, e iam parar um bocado mais à frente. Ia ajudando os quilómetros a passar e quando dou por isso, estou a chegar ao último quilómetro da prova. Local onde tinha deixado o carro estacionado no último ano que fui ver a chegada da Volta à Torre.

Aqui parei novamente e estive ainda uns 30 segundos parado. Ia conseguir chegar ao fim. Tinha sido a muito custo, mas ia conseguir chegar à Torre, tal como desde miúdo via fazerem na Volta a Portugal!

Não ia ser como eu tinha pensado, sem ter de pôr o pé no chão, mas estava a chegar lá!

A rampa final até à meta ainda custou um bocadinho. Já nem me consegui levantar da bicicleta, mas cheguei lá acima, completei o Mediofondo, subi à Serra da Estrela!


Cortei a meta e uma simpática voluntária pôs-me logo a medalha ao peito. Eu devia estar mesmo com mau ar, pois ela insistiu várias vezes a perguntar-me se estava bem e se não queria que ela me fosse buscar uma sandes e sumo que estavam a dar no final.

Depois de a convencer que estava bem, apesar das dificuldades em passar a perna por cima da bicicleta para desmontar, fui buscar o tal abastecimento e sentei-me no chão, a comer e finalmente a começar a relaxar.

Depois da meta já não fui capaz, nem tinha tempo de descer para Manteigas de bicicleta. Desci só uns 200 metros até onde a Rita tinha estacionado, meti a bicicleta no carro e ela foi a conduzir de volta a Gouveia onde tínhamos ficado. O meu cansaço era tal que em pouco tempo adormeci!

A minha preparação era claramente insuficiente, mas eu tinha consciência disso. Gostei muito da prova mas foi duro, muito duro, como nunca antes tinha feito. Acredito que haja rampas piores e subidas mais duras, mas para mim aqueles 10 Km do Adamastor foram demolidores e uma novidade a nível de percentagem de inclinação durante tantos quilómetros.

Não consigo descrever a sensação de ver uma coisa daquelas pela frente. A estrada a serpentear pela montanha, sempre, sempre a subir. Sem dúvida, um cenário lindíssimo, mas muito duro.

A Minha Prova: