Sevilha 2018 - Check. E a seguir?

Depois de concluída a maratona de Sevilha, as atenções viram-se todas para a próxima prova no calendário. Será daqui a 11 semanas e, tal como nos anos anteriores, será uma prova de triatlo.

A inscrição já está feita há muito tempo e a ideia foi aproveitar os treinos de corrida que ia fazer para Sevilha, de modo a ter uma excelente base nessa modalidade. Ficam a faltar os treinos de Natação e Bicicleta e é para isso que vão servir estas 11 semanas.

Esses treinos terão de ser realmente intensivos, embora a corrida, apesar de uma boa base, também não possa ser descurada. 

O desafio é novamente o Challenge Lisboa, mas desta vez achei que um triatlo Olímpico não me chegava. Parvoíces...

Já devem ter percebido onde é que isto está a chegar. É verdade, inscrevi-me no Half IronMan de Lisboa!!!


Vou ter certamente tempo para viver e sentir a prova. Vão ser 1,9 Km's de natação, seguidos de 90 Km's de bicicleta, e, para "sobremesa", 21,1 Km's de Corrida (Meia-Maratona).

Pensei muitos dias antes de fazer a inscrição, e devo ter chateado toda a gente à minha volta com dúvidas se ia ou não (a Rita que o diga!), mas acabei por me atirar. São distâncias grandes, muito grandes, principalmente fazer uma meia maratona depois de pedalar 90 Km's, mas acho que o consigo fazer dentro do tempo limite. De preferência algum tempo antes!

Depois de uns dias para recuperar e aproveitar as emoções de Sevilha, estou pronto para retomar os treinos!

34ª Maratona de Sevilha

Há três anos atrás fiz a minha primeira Maratona em Paris. Não correu como o esperado e estive muito tempo sem vontade nenhuma de repetir a experiência. Em Fevereiro do ano passado li este post do João Lima e deu-se o "click". A 29 de Março fiz a inscrição para a Maratona de Sevilha de 2018, e hoje posso dizer que ainda bem que o fiz!

Os Treinos
Comecei a treinar para esta prova no final de Outubro. Sabia que tinha uma base de corrida em 2017 bastante curta e que o plano ia aumentar muito a quantidade de quilómetros, e com grande intensidade.

Quando ia bem embalado nos treinos deu-se o problema do joelho. Felizmente não passou de um susto. Se calhar até houve excesso de zelo da minha parte, mas na altura fiquei mesmo preocupado. O resultado foi um mês de paragem, logo na altura mais crítica do plano.

Quando voltei a treinar já não o fiz com a mesma frequência e dei prioridade máxima aos treinos longos. Durante a semana reduzi muito os treinos de corrida e troquei alguns por bicicleta.

Cheguei à Maratona de Sevilha com 36 treinos de corrida e um total de 418 Km's. Muito longe do que queria ter feito. Mas curiosamente sentia-me preparado, especialmente a nível psicológico. Sentia que estava muito mais forte do que em 2015.

Acho que estes três anos que passaram, e a participação em alguns triatlos de distância olímpica, ensinaram-me a gerir melhor o esforço e as emoções ao longo da prova. Apesar de ter menos quilómetros nas pernas, em comparação com a anterior maratona, sentia-me mais preparado.

A Prova
Fui para Sevilha sábado de manhã com uma larga comitiva de apoio. Depois de levantar o dorsal, almoçar na pasta party e voltar a casa, optei por ir dar uma corridinha de cerca de três quilómetros. A ideia era só mexer um pouco as pernas, depois de tantas horas de viagem no carro.

Rapidamente era hora de jantar, e de dormir... supostamente. Tal como antes de todas as provas "grandes", demorei imenso para conseguir adormecer, o que resultou numas 3 ou 4 horas de sono! Tenho mesmo de conseguir resolver este "problema".

No dia da prova, depois de deixar o carro no estacionamento do estádio, fomos todos para a partida, que era mesmo ali perto. Sim, todos, porque toda a minha comitiva se levantou à mesma hora que eu  (de madrugada), para me apoiarem ao longo dos quarenta e dois quilómetros.

Quase às 08:30, estava na altura de um "até já" e de ir para o meu "curral" de partida. Não foi difícil lá chegar, era o último para mais de 4 horas de prova!


Alguns nervos (muitos) antes do início, e ao som da "Highway to Hell", comecei a minha prova. Estava nervoso, mas convicto que ia chegar ao final!

Os primeiros quilómetros foram feitos a tentar encontrar a minha posição nos quase 13000 atletas que participavam. Acabei por ir a correr à frente de um grande grupo de atletas que empurravam pessoas em cadeiras de rodas e que transportavam com eles umas colunas com o som bem alto!

Foi ao som de AC/DC e de Guns N' Roses que fiz os primeiros quilómetros e onde comecei logo a perceber o que era a Maratona de Sevilha.

Os primeiros cinco quilómetros são feitos na zona de Triana e logo aí percebi o quão envolvidos na prova estão os sevilhanos. As pessoas iam para a rua ver e incentivar os atletas. Gritos de "Animo, Animo", "Venga campeone", foram uma constante ao longo de toda a prova. 

Não há palavras para agradecer a enorme ajuda que a população de Sevilha dá e o bom ambiente que criam nesta prova.

Depois de passar a ponte que nos fazia sair da "Isla de la Cartuja", comecei a fazer as contas para os quilómetros que faltavam para ver a minha claque. Perto dos 8 km conforme combinado, lá estavam eles a fazer uma grande festa.


Aos oito quilómetros de prova, ia a sentir-me bem (com mais trinta e quatro quilómetros pela frente era melhor que assim não fosse!). Ia com a respiração e a pulsação controlada e a curtir todo o ambiente.

Enquanto os quilómetros passavam eu ia pensando no que tinha sido a prova de Paris e no que esta estava a ser. Não quis cometer alguns erros que cometi na altura. Desta vez tinha hidratado bem nos dias anteriores, não tinha passado horas em pé e a caminhar no dia anterior à prova, e estava a beber água em todos os abastecimentos. De acordo com o plano, estava também tomar um gel a cada dez quilómetros.

Ao chegar perto do quilómetro quinze, nova passagem pela claque e nova festa. Aproveitei para deixar o corta-vento que já vinha há muito tempo enrolado à cintura. O tempo esteve excelente durante toda a prova!


A próxima vez que os ia ver seria já ao quilómetro vinte e oito, e não sabia em que estado ia lá chegar.

Mesmo nas zonas mais fora do centro da cidade havia pessoas a apoiar, não tanto como no centro, mas encontrava-se sempre alguém a bater palmas ou crianças de braço esticado à espera de um High-five.

Só houve dois momentos na prova em que passei pior, e nesta zona foi um deles. Não tive nenhuma dificuldade física em particular, mas foi um dos momentos em que me senti um pouco mais cansado e ligeiramente saturado. Estava numa longa recta de três quilómetros, entre o dezassete e o vinte. Corria, corria e parecia que não saia do mesmo sítio.

Mas há coisas que nos fazem relativizar as dificuldades que sentimos e o facto de ir grande parte da prova, ora à frente, ora atrás deste senhor e do seu filho foi uma delas. Foram várias as vezes que me comovi ao ver a força de vontade desta pessoa, e a festa que toda a gente fazia ao ver passar o Pablo.

Depois da passagem na Meia Maratona, com 02:25:09, faltavam cerca de sete quilómetros para voltar a ver a claque.

Perto do quilómetro vinte e oito lá estavam eles, novamente uma grande festa, onde até deu para dar uma voltinha de 360º, aos saltos ao pé deles. Já tinha passado o ponto onde as coisas começaram a descambar em Paris e sentia-me bem e extremamente motivado para chegar ao final.

O próximo ponto de encontro com a claque seria na meta.


Foi novamente numa recta um pouco a seguir, que senti mais algumas dificuldades. Se até aqui tinha dividido a prova em blocos de cinco quilómetros, a partir desta altura comecei a dividir quilómetro a quilómetro.

A cabeça começava a pedir ao corpo para caminhar, mas sabia que se o fizesse ia ser assim até ao final. A ideia era adiar isso o maior tempo possível.

Foi com este pensamento que consegui chegar sempre a correr ao quilómetro 33 (o anterior máximo sempre a correr eram 30). Ao nível do percurso tinham acabado as "voltas" por Sevilha e agora a direcção era sempre para Norte onde estava a meta.

Daqui para a frente tentei usar a táctica do andar 200 metros e correr 800. Mas vinha aí a parte da prova que tinha mais expectativas de fazer!

Ao entrar na zona da Praça de Espanha, e até à meta, fui sempre acompanhado de gritos de apoio. "Animo, Animo, Campeon! Vamos Joao!" (O dorsal tinha o meu nome). Foram uma constante e uma importante ajuda.

Depois da Praça de Espanha, vinha a Catedral e pessoas de ambos os lados da estrada a gritar. A isso juntavam-se os atletas que já tinham terminado e voltavam para aquela zona.

Perto do quilómetro trinta e oito, parei de correr para caminhar durante um bocado. Acontece que parei mesmo ao pé de um atleta que já tinha terminado. Fartou-se de puxar por mim e inclusive empurrar-me para recomeçar a correr. Claro que tive de o fazer.

Confesso que, a dada altura, ao olhar para os tempos que estava a conseguir, comecei a fazer contas  e a pensar que podia ser possível terminar em menos de 5 horas. Mas já ia cada vez mais cansado e a ter de fazer mais intervalos para caminhar. Foi um pensamento sem grande convicção.

Quando vejo finalmente o túnel de acesso ao estádio, nova onda de emoção. Estava feito, faltava só a volta à pista!

Assim que entro e olho para a bancada, oiço e vejo a minha família. Não consigo descrever os últimos metros da prova, foi uma felicidade enorme cruzar aquela meta.


O tempo final foi de 5:05:50, mas sinceramente isso pouco me importa. Estava, e estou, tremendamente satisfeito. Acho que fiz uma excelente prova. Claro que fisicamente estava muito cansado, (e com um valente empeno no dia seguinte!), mas nunca me senti "perdido" ou a ir-me completamente abaixo como há três anos atrás. Tinha de alguma forma "vingado" a Prova de Paris.

Sinto que passei a prova toda a sorrir!

Esta é, sem dúvida, uma maratona que aconselho vivamente a fazer. Um percurso completamente plano, uma cidade bonita, uma altura do ano em que costuma estar um excelente tempo, um preço acessível e relativamente perto de Portugal. Os abastecimentos são de 2,5 em 2,5 quilómetros e os voluntários que lá estão são mesmo incansáveis a puxar por nós. Não consigo encontrar pontos negativos nesta prova.

Não posso terminar sem falar novamente do ambiente e do público sevilhano. Vive-se intensamente a maratona naquela cidade, todos estão envolvidos. Dá um gosto enorme percorrer aquelas ruas e ir agradecendo o incansável apoio que nos dão. Até quem está dentro do carro à espera, por a estrada estar fechada, ou gritava palavras de incentivo lá de dentro ou estava fora do carro a bater palmas. Isto é impensável em Lisboa...

Poucos dias depois de concluída esta Maratona, a vontade é de lá voltar já no próximo ano. Acho que por aí logo se vê o bem que a prova correu!

Quero ainda agradecer à minha família. Mais uma vez acordaram vários dias de madrugada, andaram de um lado para o outro para me verem passar e até tiveram de correr para apanhar o comboio que lhes ia permitir estar no estádio a tempo da minha chegada.

Obrigado, esta medalha também é vossa!


A Minha Prova:

Sevilha - Falta 1 mês!

É verdade que desde a última actualização sobre o problema no joelho este blog a modos que morreu. Digamos que foi proporcional aos treinos que fiz durante cerca de 1 mês.

Entre ir ao médico, fazer ressonância e obter resultados estive parado 3 semanas e meia e comecei a ver a Maratona a ficar muito complicada. Mas felizmente tudo se resolveu! Não tinha nada de grave, e o que tinha, deverá ter sido causado pelo rápido e elevado aumento da carga nos treinos.

Com a paragem que tive deixei se seguir o plano de treinos, continuo a fazer os longos ao fim de semana, e durante a semana substitui um ou dois treinos de corrida por treinos de bicicleta dentro de casa.

Isto para dizer que em Janeiro voltei a correr. E o que é que se faz depois de uma paragem de 3 semanas e meia? Voltar logo com um treino de 23 Kms…

Treino 27
Km's
Time
Pace
Alt
Avg Bpm
23.01
02:32:06
06:37
48
155

Se calhar foi parvo mandar-me para um treino de 23 Km's tendo em conta o tempo de paragem que tive, mas a Maratona está cada vez mais próxima e os meus longos tinham-se ficado pelos 22, claramente insuficiente. Como ia almoçar a Sintra, a ideia era ir correndo pela Marginal fora nessa direcção e quando não conseguisse correr mais ia a caminhar. 

Claro que a ideia não era chegar a Sintra. A Rita ia sair de casa umas horas depois e quando passasse por mim apanhava-me.

Consegui correr os 23 Km's, mas quando parei já não dava mesmo mais, até a caminhar custava e passei os dias seguintes com as pernas bastante doridas, mas… tinha voltado a correr!

Treino 28
Km's
Time
Pace
Alt
Avg Bpm
25.25
02:42:41
00:06:26
19
155

No fim de semana seguinte o objectivo era passar a distância do treino anterior. Decidi fazer um percurso que não costumo fazer e que não gosto particularmente, mas era todo plano e não me chateava com carros. 

A ideia era terminar no metro do Cais do Sodré, para tal saí de casa em direcção ao Terreiro do Paço depois na direcção da Torre de Belem e voltar para trás até Staª Apolónia onde voltava novamente para trás.

Não tenho treinado muito à chuva, mas desta vez fui desde o Terreiro do Paço até Belém com a sua companhia. Não sei se foi de ter arrefecido com a chuva, mas comecei a sentir logo a partir dos 10 Kms as pernas a queixarem-se. Era muito cedo para esse tipo de queixas e forcei-me a continuar. Chegado à Torre de Belém voltei para trás e ainda queria ir, mais ou menos até Stª Apolónia.

Ao passar pelo Cais do Sodré levava 20 Km's. Custou-me passar pela "meta" e ter de continuar mas tinha de ser. Mais uma vez ignorei o cansaço e as queixas das pernas e forcei-me a continuar.

Terminei com os 25,5 Km's feitos e satisfeito com o treino que fiz. Não estava tão cansado como na semana anterior. O ter conseguido fazer um percurso que não gosto, sentir as pernas doridas desde cedo e passar pela meta antes de poder terminar foi uma boa "vitória" para a parte psicológica.

Treino 30
Km's
Time
Pace
Alt
Avg Bpm
30.1
03:20:15
06:39
17
152

Calhou que o trigésimo treino do plano fosse também o de 30 Km's, coincidências! Se tinha ficado satisfeito com o treino anterior com este ainda mais fiquei.

Optei pelo mesmo percurso que a semana passada, mas para evitar tentações, fui primeiro na direcção do Parque das Nações e só no final na direcção da Torre de Belém, assim passava pela "meta" no Cais do Sodré aos 15 Km e teoricamente não custaria tanto a continuar.

Desta vez não senti as pernas doridas desde o inicio. Claro que a dada altura o cansaço começou a instalar-se mas fui sempre com a sensação de estar a conseguir gerir bem o esforço e acho que em nenhum momento duvidei que conseguia correr a distância toda que me tinha proposto.

Estava em dia bom, e se de hoje a um mês em Sevilha estiver a sentir-me igual, é bom sinal!



E o que resta durante este último mês de treinos?

Para esta semana, vou fazer um treino mais curto, talvez uns 21 Kms. No fim de semana seguinte a ideia é fazer novamente os 30 Km's, e ultimar o equipamento e nutrição a usar no dia da prova.

Nas últimas semanas em princípio vão ser para duas provas. Primeiro a Meia Maratona de Cascais, e na semana antes de Sevilha, é altura de regressar a casa para o Grande Prémio de Atletismo de Mem Martins.

Sevilha 2018: Semana 8/18

E à oitava semana do plano surge um problema, mais precisamente no joelho esquerdo. Para já estou parado (de corrida) por precaução até ir ao médico depois logo se vê.

Treino 25: (6.4 Km)
Km's
Time
Pace
Alt
Avg Bpm
6.48
00:43:40
06:44
85
149

Mais um treino feito ao final do dia e novamente uns números muito abaixo dos outros treinos. Ou é do local onde faço os treinos à noite ou então é mesmo certo que não me dou bem a treinar a esta hora. O que vale é que era um treino só para rolar calmamente, nem sequer fui a olhar para o relógio.

Treino 26: (11.2 Km)
Km's
Time
Pace
Alt
Avg Bpm
11.01
01:04:18
05:50
166
160

Desta vez como tinha o treino de 24 Km para fazer no fim de semana não fiz as variações de ritmo que tenho feito nos treinos da quarta feira. Acabei por ter momentos do treino mais rápidos, mas não foi intencional acabou por acontecer consoante o inclinar da estrada.

Não foi durante o treino (feito à hora de almoço) nem sequer depois do treino que o problema começou. O problema surgiu à noite quando estava simplesmente a caminhar no Alegro e de repente sinto uma dor intensa no joelho, de modo a não conseguir pousar o pé no chão. Mexi um bocado a perna e passou mas ficou uma ligeira impressão.

Ao chegar a casa novamente a mesma coisa, mas desta vez não passou e nem conseguia pousar o pé no chão. No dia seguinte de manhã, e desde então, não me dói o joelho ao caminhar, nem ao tocar, nem sequer está inchado. Mas… cada vez que me levanto e começo a andar, no primeiro passo, doí-me o joelho.

Posto isto, não sei se é ser "mariquinhas" ou não, mas optei por marcar uma consulta no médico, e ver o que se passa. Tenho mais 10 semanas até Sevilha e preciso mesmo de treinar. Mas se por um lado parar agora não dá jeito nenhum, por outro lado sentir o joelho assim e meter ainda mais carga em cima, não sei se é sensato!

Na próxima quarta feira vou ao médico. Ate lá vou por a corrida em stand-by. Isto foi dia 13, hoje dia 18 continuo a sentir a mesma dor ao levantar. Não sempre, mas algumas vezes.

Treino 27: (6,4 Km)
Km's
Time
Pace
Alt
Avg Bpm






Treino não realizado.

Treino 27: (22,4 Km)
Km's
Time
Pace
Alt
Avg Bpm






Treino não realizado

Para compensar a falta de treinos de corrida experimentei andar um pouco de bicicleta em casa (no rolo claro) para ver como o joelho reagia. Não senti nenhum incómodo por isso optei por continuar.


Até ir ao médico vou continuar a fazer treinos de bicicleta para ao menos não estar completamente parado.