30º Triatlo de Oeiras (Sprint)

Foi no triatlo de Oeiras em 2015 que fiz a minha estreia nesta modalidade. Nesse ano participei na prova de Super Sprint e adorei. Em 2016 estava inscrito para participar no Sprint, mas uns problemas físicos nos dias antes impediram-me de estar presente. Este ano pude finalmente fazer a "prova grande" de Oeiras, mas se calhar mais valia ter ficado em casa.


Cheguei cedo ao local da prova e consegui deixar a bicicleta num sitio onde tinha boas referências para a encontrar ao sair da água (em frente a 2 palmeiras). Com tudo arrumado no parque fui ter com a Rita à praia.

Depois de vestir o fato e dar umas braçadas para me ir habituando à temperatura da água fui ver a partida da prova feminina que seria dada 10 minutos antes da minha.

Elas arrancaram todas muito bem mas ao chegar à zona da primeira bóia algo de estranho se passava. Estava uma corrente de tal forma forte que tinham sido todas levadas para a direita antes de ultrapassarem a bóia. E pelo que se via da areia, a dificuldade para a contornar estava a ser enorme.

Soube mais tarde que houve imensa gente a ser recolhida de barco junto à segunda bóia, a corrente estava a querer levar muita gente para Carcavelos.

Já avisados do estado da água, praticamente todos os homens se encostaram o mais possível à esquerda para não se ter de lutar tanto contra a corrente

Segmento 1: Natação (11:36)
Como estava tanta gente em prova, assim que deram a partida deixei o resto do pessoal ir todo a correr e fui a caminhar para a água. Queria evitar a confusão inicial dentro de água, mas não sei se esta também foi a melhor opção já que para entrar na água tinha imensa gente à frente.

Fiz o percurso até à primeira boia sem grandes dificuldades e felizmente não senti a corrente muito forte. Aliás o que senti naquela zona foi uma diferença grande na temperatura da água, estava mais quente do que no resto da praia.

Entre a primeira e a segunda boia a dificuldade maior foi a ondulação, mas também consegui fazer este pedaço do percurso em boas condições.

No regresso à areia estava preocupado que a corrente me levasse para a zona das rochas do forte e por isso tentei apontar ao meio da praia em vez de ir a direito para a zona da saída. Esta foi a parte mais complicada e confusa da natação. Muita gente na água fez com que tivesse de parar de nadar por diversas vezes. A parte boa foi conseguir sair da água sem ter ido parar ás rochas ou a Carcavelos.

O estranho no final deste segmento foi o meu tempo 11:36. Cerca de 4 minutos mais rápido que em Peniche, o que não faz qualquer sentido. Estou praticamente à um mês sem treinar natação, não acredito que tenha feito este segmento a um ritmo de 1:38 min/100m. Ou o percurso estava mal medido ou a corrente acabou por ajudar mais do que atrapalhar.

Transição 1 - Natação - Ciclismo (04:50)
O parque de transição nesta prova está um pouco longe da saída da água e ainda por cima é sempre a subir, por isso acabei por o fazer metade a correr metade a caminhar. Tirei o fato sem problemas e peguei na bicicleta para sair como em todas as outras provas.

Ao passar a linha onde se pode montar a bicicleta, e para não ficar parado no meio a atrapalhar quem queria sair encostei-me à direita para montar a bicicleta.

Com o pé esquerdo já encaixado, e o pé direito a começar a dar o impulso para arrancar, um outro atleta, ainda com a bicicleta pela mão, atravessa-se completamente à minha frente. Resultado: travo, tento não cair, com um pé ainda encaixado e o outro no chão, ando com a bicicleta meio aos saltos e enfio a pedaleira pela perna direita a dentro.

Olho para os estragos e não tinha bom ar! Havia óleo, sangue, (mas não estava a "jorrar") e a zona que a pedaleira "comeu" tinha a pele levantada mas mais ou menos a tapar o corte. Mesmo com a perna assim decido arrancar e ver como é que a perna se ia comportar ao pedalar.

Isto foi tudo muito rápido e a decisão de continuar e ver melhor os estragos mais tarde, foi logo a primeira coisa que me veio à cabeça.

Segmento 2: Ciclismo (41:58)
Os primeiros metros do ciclismo foram passados a tentar ver melhor como estava a perna. Não sentia dor ao pedalar, nem sentia que estivesse a forçar o corte. Mesmo com duvidas se seria melhor parar e ir aos bombeiros acabei por optar por continuar a prova e fazer nova avaliação quando fosse para a corrida.

Mesmo não estando com dores nem com a sensação de ir em esforço, já não consegui fazer a prova descansado. Estava preocupado com o corte e extremamente irritado com o que aconteceu.

Numa prova com tanta gente foi relativamente fácil encontrar grupos que tinham o mesmo andamento que eu. Isto fez com que fizesse praticamente toda a prova na roda de outros ciclistas. O grupo acabou por se desfazer já no regresso durante a subida do Alto da Boa Viagem, e desde ai até regressar ao parque de transição fui saltando de roda em roda, mas sempre grupos de 2 ou 3 ciclistas.

Apesar de tudo isto consegui fazer uma boa média neste segmento: 32,2 Km/h

Transição 2: Ciclismo - Corrida (01:37)
O objectivo nesta transição não era demorar pouco tempo. Era sim olhar melhor para os estragos na perna e decidir se continuava ou não.

O corte na perna estava igual, não estava a sangrar, mas continuava com um bocado mau aspecto, principalmente a pele meio levantada uma vez que a pedaleira entrou de lado. Pensei em desistir da prova. Mas por outro lado, para poder ir embora, para o centro de saúde ia ter de esperar à mesma para tirar tudo do parque de Transição.

Mais uma vez decidi continuar e ver como é que me sentia ao correr, se estivesse mau parava mesmo. Troquei apenas o chip de perna para não estar com a fita a roçar naquela zona.

Segmento 3: Corrida (30:32)
Ao começar a correr, tal como no ciclismo, não senti qualquer esforço ou dor e, por isso fui continuando, mas mesmo assim optei por ir mais devagar do que o costume.

Sem grande história fiz o segmento de corrida a uma média próxima dos 6 min/km, e acabei por cortar a meta com um tempo final de 1:24:19.

Conclusão:
Assim que cortei a meta perguntei a um voluntário onde era o posto médico ou bombeiros. "Deve ser para ali naquelas tendas". Não era! 

É realmente bastante útil ter alguém a dar apoio a uma prova que não sabe pelo menos onde é que estão os Bombeiros. Acabei por os conseguir descobrir na outra ponta do Parque de Transição e pedi para me darem uma vista de olhos na perna. Acabaram por limpar a ferida mas ia ter de ir ao centro de saúde saber se devia ou não levar pontos.

No centro de saúde, acharam que não eram preciso pontos, limparam um pouco mais a ferida e sai de lá com uns adesivos e um penso grande por cima do corte. Se acharam bem ou mal não sei, porque não sou médico nem enfermeiro, mas 5 dias depois ainda era este o aspecto do corte:


Quase duas semanas depois da prova continuo com a perna em lento processo de cicatrização, a trocar de penso de 2 em 2 dias, e sem fazer qualquer desporto. Obrigado pelas férias forçadas caro triatleta da transição 1!!!

E com os 100 Km do  Mediofondo das Aldeias do Xisto a pouco mais de um mês de distância, não sei como é que vai ser.

A minha Prova:

SkyRoad Serra da Estrela - MedioFondo 2017

Sexta feira ao final do dia estava finalmente na hora de meter a bicicleta dentro do carro e arrancar para a Serra da Estrela. De sexta para sábado fizemos uma paragem no "sprint intermédio" de Arganil em casa da minha madrinha - Casa do Vale. Sábado de manhã continuámos a viagem para Cativelos que seria o quartel general para a prova.

Nesse mesmo dia, à tarde, fomos a Manteigas levantar o dorsal e ver a feira da prova. Ao percorrer a estrada que liga Gouveia a Manteigas ia ganhando um novo respeito pela Serra. Já lá tinha passado antes, mas desta vez ia a pensar "Amanhã vou pedalar aqui... a Serra parece maior que das outras vezes".


Na feira da prova aproveitei para comprar um colete, no qual já andava de olho, e que me deu imenso jeito no dia seguinte. Comprei também um protector solar desportivo do qual, para já, depois de o ter usado durante a prova, fiquei fã, uma vez que mesmo depois de cinco horas em cima da bicicleta não acabei a parecer uma lagosta.

Domingo, dia da prova, estava o despertador a tocar às 6 da manhã. A ideia era sair de casa pouco antes das 7, para ter tempo de fazer a cerca de uma hora de percurso até Manteigas, com calma. Correu tudo como planeado e deu logo para ver que o tempo do lado de Seia não estava grande coisa, ao contrário de Manteigas onde estava um sol fantástico.

A Rita deixou-me na estrada perto de Manteigas e desci o que faltava de bicicleta até ao local da partida.

A compra da camisola da Team Fenix permitia-me sair da primeira box de partida, mas como optei por levar o equipamento do Sporting tive de partir da quarta box, que ficava mais ou menos a meio. Dirigi-me para lá e esperei.

Nunca tinha estado num grupo tão grande de ciclistas e estava com algum receio do momento do arranque. Entre encaixar os pés nos pedais e começar a pedalar devagarinho no meio de tanta gente no pára-arranca estava com receio de eventuais toques que me mandassem ao chão logo no início. Felizmente correu tudo bem!

Depois de uns 15 minutos de atraso e de saber que cortaram a parte inicial com cerca de 7 Km de andamento controlado em Manteigas, foi dada a partida ao som da Conquest of Paradise dos Vangelis. Querem música mais épica para o momento da partida? Confesso que ainda me emocionei um pouco ao passar na partida e dar início à minha aventura.

A primeira subida ia levar-me de Manteigas até a zona das Penhas Douradas. Rapidamente fui sendo ultrapassado por outros ciclistas, mas não ia preocupado. Segui ao meu ritmo, sempre bem disposto, a curtir a paisagem e o ambiente.

Nunca tinha subido vinte quilómetros seguidos, e gostei. A subida ia sempre a uma média suave, conseguia manter uma cadência certinha e ainda ter mais duas ou três mudanças para usar. Tentei gerir a subida de maneira a que fosse com a sensação que se quisesse podia esticar-me mais um bocado mas que era importante deixar esse bocado de reserva.


Ao fim de uma hora e pouco estava a primeira subida ultrapassada.

Ao chegar lá acima, e ainda antes de começar a descer para Seia, tive de parar por duas vezes, pois com o aumento da altitude e da velocidade comecei a sentir algum frio.

A primeira paragem foi para vestir o colete. Um pouco mais à frente e já a entrar pelo nevoeiro, parei novamente para vestir os manguitos, e ainda bem que o fiz. A descida para Seia estava complicada, a temperatura caiu de uns 22º durante a subida para 14º, e foi feita com um forte nevoeiro onde por vezes não se via mais de 5 a 10 metros à frente. Quando o nevoeiro começou a levantar deu para me esticar um bocadinho mais na descida e tirar mais gozo dela.


Na passagem por Seia, parei no abastecimento, que achei bastante bom, entre amendoins, sandes e batatas fritas, havia um bolo (Bolo de Loriga) que era uma maravilha. Só por isso já tinha valido a pena a primeira subida!

Depois de um telefonema para a Rita, arranquei novamente para a segunda parte da prova.

Passado pouco tempo, passo por um ciclista que não ia na prova mas ia equipado à Sporting, da cabeça aos pés, e ao passar por ele digo "Força Sporting!". Ele acena olha para mim, vê que também eu tinha o equipamento do Sporting e dá-me um dos bidons do Sporting que tinha com ele. "Para combinares com o equipamento!". Fiquei surpreendido, agradeci e acabei por seguir um bocado à conversa com ele. Acabei por descobrir que fazia parte do staff da equipa Sporting-Tavira :)

A primeira parte da subida após Seia era mais inclinada que a de Manteigas, mas ainda conseguia ir a um bom ritmo e sem grandes dificuldades, apesar de já só me restar uma mudança mais leve para usar. Até que cheguei à entrada do famoso Adamastor.


O Adamastor é uma subida com cerca de 10 Km e uma percentagem média de 8% na, salvo erro, estrada de São Bento. Não sei como terá surgido a utilização deste nome, mas posso garantir que é bastante adequado às rampas que a estrada apresenta.

Assim que começo o Adamastor passam por mim alguns ciclistas que achei serem os primeiros do Granfondo. Primeiro um ciclista isolado e depois um grupo de uns dez, a um ritmo bastante mais rápido que o meu. Impressionante!

Ia em rampas mais inclinadas, e a achar que estava a ser difícil mas que a manter-se assim não era muito mau. Mas a dada altura apareceram os primeiros avisos de rampas a 14% e tudo mudou!


Nunca tinha feito nada assim, pelo menos durante tanto tempo seguido, com aquela percentagem de inclinação. Horrível, horrível, horrível! Ia a cerca de 7 km/h, chegando ao ponto de ir aos esses na estrada, tudo para tentar não pôr o pé no chão, apesar da vontade de o fazer ser cada vez maior.

Tenho ideia de que a dada altura a subida aliviou ligeiramente, pelos vistos, olhando agora para o gráfico. Até teve uns metros de descida apesar de eu não me lembrar deles.

Sei que a subida voltou a empinar para uns 12 ou 14% e que nas placas na estrada, para além da percentagem de inclinação dizia 2 Km. Eu bem tentei mas já não dava mais. Ia a 5 Km/h com uma cadência de pedalada de 40!!! Olhava para a frente e via a estrada bastante inclinada, olhava à volta e só via montanhas bem altas onde no cimo estava uma estrada. Pensei "não pode ser por ali, é demasiado acima em relação ao ponto onde estou", mas a verdade é que via cabeças a passarem por lá!

Acabei por ter de pôr o pé no chão e ir a empurrar a bicicleta. Não me lembro da última vez em que tive de fazer isto. Acabei por fazer cerca de 1 Km a pé!

Quando montei novamente estava perto do abastecimento (mais bolo de Loriga nham nham) e cerca de 500 metros depois do abastecimento estava o final do Adamastor. Foi também aqui que estavam a Rita e a Tatiana já há bastante tempo à minha espera.

Neste ponto estava também um abastecimento de água dos Bombeiros e consta que toda a gente que lá parava só dizia "FOD*-**"! Foi aqui que eu disse "Já estou arrependido de me ter inscrito também na prova das Aldeias do Xisto" ao que um companheiro ciclista que também estava no abastecimento diz "É pior que esta, não são subidas tão longas, mas tem mais sobe e desce"... Foi animador (not)!

Faltavam cerca de oito quilómetros para o final. Supostamente estes 8 Km finais já seriam mais fáceis, inclusivé com alguns momentos de descida, mas eu já estava de rastos e tudo me custava a fazer. Foi mais ou menos nesta altura que vi pela primeira vez a Torre. Ainda lá ao fundo, mas foi o suficiente para me emocionar novamente e convencer-me que ia conseguir.


Estes quilómetros finais acabei por fazer na companhia da Rita e da Tatiana, que iam passando de carro, paravam, gritavam, e iam parar um bocado mais à frente. Ia ajudando os quilómetros a passar e quando dou por isso, estou a chegar ao último quilómetro da prova. Local onde tinha deixado o carro estacionado no último ano que fui ver a chegada da Volta à Torre.

Aqui parei novamente e estive ainda uns 30 segundos parado. Ia conseguir chegar ao fim. Tinha sido a muito custo, mas ia conseguir chegar à Torre, tal como desde miúdo via fazerem na Volta a Portugal!

Não ia ser como eu tinha pensado, sem ter de pôr o pé no chão, mas estava a chegar lá!

A rampa final até à meta ainda custou um bocadinho. Já nem me consegui levantar da bicicleta, mas cheguei lá acima, completei o Mediofondo, subi à Serra da Estrela!


Cortei a meta e uma simpática voluntária pôs-me logo a medalha ao peito. Eu devia estar mesmo com mau ar, pois ela insistiu várias vezes a perguntar-me se estava bem e se não queria que ela me fosse buscar uma sandes e sumo que estavam a dar no final.

Depois de a convencer que estava bem, apesar das dificuldades em passar a perna por cima da bicicleta para desmontar, fui buscar o tal abastecimento e sentei-me no chão, a comer e finalmente a começar a relaxar.

Depois da meta já não fui capaz, nem tinha tempo de descer para Manteigas de bicicleta. Desci só uns 200 metros até onde a Rita tinha estacionado, meti a bicicleta no carro e ela foi a conduzir de volta a Gouveia onde tínhamos ficado. O meu cansaço era tal que em pouco tempo adormeci!

A minha preparação era claramente insuficiente, mas eu tinha consciência disso. Gostei muito da prova mas foi duro, muito duro, como nunca antes tinha feito. Acredito que haja rampas piores e subidas mais duras, mas para mim aqueles 10 Km do Adamastor foram demolidores e uma novidade a nível de percentagem de inclinação durante tantos quilómetros.

Não consigo descrever a sensação de ver uma coisa daquelas pela frente. A estrada a serpentear pela montanha, sempre, sempre a subir. Sem dúvida, um cenário lindíssimo, mas muito duro.

A Minha Prova:

SkyRoad Serra da Estrela - Está quase!

Este fim de semana vou fazer a minha segunda prova de ciclismo. A primeira já foi há uns anos e teve uma dimensão muito menor. Esta será a minha primeira prova mais a sério e logo naquele que é provavelmente o local mais mítico do ciclismo em Portugal: a Serra da Estrela.

Tenho noção que o treino foi curto e insuficiente para subidas como as da Serra da Estrela, mas o que falta em treino tenho na vontade imensa de chegar lá acima.

Irei ter pela frente o meu maior desafio em bicicleta. São 102 Km com cerca de 2800 D+.

Costumo dizer que prefiro subidas mais longas do que as curtas e muito inclinadas, mas na realidade nunca tive oportunidade de fazer subidas tão longas como as da Serra.

A primeira vai ter 19,4 Km a uma média de 3,8% e vai levar-me de Manteigas até as Penhas Douradas

Não me parece ser uma subida com percentagens de inclinação muito complicadas, mas são praticamente 20 Km de subida que vão certamente deixar mossa.

A segunda subida é a mais preocupante, 32 Km de subida com uma média de 4,5%, mas com o temível Adamastor mais ou menos a meio. São cerca de 10 Km com uma percentagem de 8% de inclinação e zonas com rampas que chegam aos 14%!!!
Esta segunda e última subida será mais complicada. Imagino que com o cansaço da primeira metade de prova e com o calor que já poderá fazer-se sentir, esta será uma grande dificuldade a ultrapassar.

Mas no fim desta subida estará a Torre e a meta. Local mítico de inúmeras chegadas da Volta a Portugal em bicicleta e onde, por duas vezes, estive presente.

Desta vez também vou estar presente, mas em vez de estar a bater palmas e a gritar por outros ciclistas, vou estar eu em cima de uma bicicleta a cumprir o sonho de muitos anos: "Um dia vou subir a Serra da Estrela de bicicleta!"

Domingo vai ser o dia!

34º Triatlo de Peniche

No fim de semana de 10 de Junho será a habitual Romaria a Peniche. Tem sido hábito nos últimos anos ir até lá com a família. Eu para participar numa prova eles para comerem apoiar-me! Este ano o motivo foi novamente o Triatlo de Peniche na distância Sprint.

Vai ser o meu primeiro Triatlo Sprint este ano, mas mesmo sendo uma distância mais curta que Lisboa e Sines não estou com grandes expectativas, principalmente para a natação e a corrida. 

Como tinha dito depois de Sines, mudei quase toda a atenção para o ciclismo e a preparação para subir a Serra da Estrela. Desleixei-me na natação com apenas 2 treinos em 2 semanas e na também na corrida.

Vou partir para esta prova sem ambições de tempos ou ritmos. Estou a prever uma natação e corrida pior, e se o vento ajudar, um ciclismo melhor que o ano passado.. Mas acima de tudo quero divertir-me, e dar o meu melhor seja ele qual for. O ano passado o melhor foi 01:29:54. Este ano veremos o que dá.

PS: Esta introdução, foi escrita uns dias antes da prova.

Dia da Prova
Tal como no ano passado sai de Lisboa em direcção a Peniche com a Rita, os meus pais e o meu irmão ainda antes de almoço. Aproveitei a viagem para ir logo almoçando, com tempo, e não estar a acabar de comer quase em cima da hora da prova.

Já em Peniche e com o carro estacionado fomos procurar um local para o resto da família almoçar, enquanto eu ficava a ver. Desta vez optámos pela "Casa do Pescador" localizado mesmo na Avenida onde o segmento de corrida ia passar. Enquanto a minha claque enfardava sardinhas eu fui ao carro buscar a bicicleta para deixar tudo arrumado no Parque de Transição.

Tentei novamente encontrar um ponto de referência para o sitio onde tinha deixado a bicicleta mas mesmo assim não foi fácil ao sair da natação encontrá-la. É que isto de encontrar um sitio quando só há a minha bicicleta e poucas à volta é diferente de encontrar a bicicleta com o parque cheio!



Se pudesse deixava sempre um balão daqueles das crianças pendurado no sitio onde deixo a bicicleta, ia facilitar imenso!

Segmento 1: Natação (15:12)
A minha previsão de fazer um segmento de natação fraco acabou por se confirmar. A falta de treinos não ajudou, e principalmente a confusão até à primeira bóia.

Nesta primeira parte do percurso nunca consegui nadar à vontade e a um ritmo certo. Estava constantemente a ser "interrompido" por outros atletas que estavam à frente ou que vinham dos lados.

Entre a primeira e a segunda bóia já consegui nadar mais à vontade e sem interrupções, assim como na parte final já de regresso ao Parque de Transição.

Para alem da confusão de braços e pernas tive outro problema na natação que durou praticamente todo o segmento: nunca conseguia ver onde estava a bóia. Por mais que levantasse a cabeça não a conseguia ver por isso limitei-me a seguir quem ia à minha frente.

Foto Triatl3ta

Tal como tinha previsto acabei por fazer uma natação mais lenta que o ano passado. Mas para alem do tempo a mais que demorei a sensação durante a primeira parte deste segmento não foi a melhor. A maior parte do segmento não fui a sentir-me confortável! Fiquei a pensar em como será em nadar em Oeiras com muito mais gente.

Transição 1: 02:12
Saí bem da natação, mas tive alguns problemas para encontrar a bicicleta. Como disse no inicio, encontrar a bicicleta com o parque vazio é bem diferente de a encontrar com o parque cheio.

Tinha fixado uma placa da equipa de"Manique" perto do sitio da minha bicicleta. Mas depois de sair da água e ir caminhando / correndo pelo Parque sem ver a tal placa comecei a ficar desorientado.


Já ao pé da bicicleta tirei o wetsuit, calcei-me sem problemas e toca a sair dali para o ciclismo. Já ia também preocupado com o como é que ia encontrar o meu lugar para deixar a bicicleta no final do ciclismo!

Segmento 2: Ciclismo (41:53)
Fabuloso! Para vingar o ciclismo do Triatlo de Sines aqui fiz uma prova fantástica. Para isso ajudou o estar menos vento, o ter conseguido ir em grupos muito mais tempo que o costume, e quero acreditar que também os treinos que tenho feito.

Deixei logo a bicicleta numa mudança levezinha para não ter problemas ao sair do Parque de Transição. É que logo à saída apanhávamos uma subida algo inclinada e em empedrado.

No final da subida entrei no circuito que teria de fazer por três vezes e reparei que felizmente estava menos vento do que previa! Ia ser menos uma dificuldade.

Ao contrário do ano passado desta vez conseguia seguir na roda de outros atletas. Não fui sempre no mesmo grupo, mas mesmo quando perdia o contacto conseguia juntar-me a outros grupos que vinham de trás.


Houve alguns momentos em que tive de seguir sozinho mas mesmo nesses senti-me melhor e com menos dificuldade do que tinha sucedido no ano anterior.

Conseguia não perder muito tempo nas subidas e manter o ritmo alto no plano e nas descidas. Isto possibilitou-me acabar o segmento com uma excelente média de 31,3 Km/h.

Transição 2: 01:04
Os receios que tinha de não encontrar o lugar não se concretizaram. O ponto chave foi ver os meus ténis azuis em cima do wetsuit e perceber que era ali que tinha de "estacionar"!

Ténis rapidamente trocados e em pouco mais de um minuto estava a sair do parque.

Segmento 3: Corrida (25:25) 
Estava com medo da corrida, não por achar que tinha-me esforçado em demasia no ciclismo, mas porque não tenho feito grandes treinos desta modalidade.

Como de costume comecei a correr mais rápido do que devia, mas desta vez não liguei muito e deixei-me ir assim. Enquanto desse para manter o ritmo dava, quando não conseguisse mais corria o que fosse possível.

Esta técnica acabou por não resultar nada mal. Comecei com um primeiro quilómetro bastante rápido a 05:00 min/km, mas consegui ir-me aguentando e manter o embalo para os seguintes. Segundo quilómetro feito a 05:07 min/km e estava a chegar ao retorno junto da meta onde a presença da minha claque ajudou a manter o ritmo durante o terceiro quilómetro: 05:09 min/km.


Estava a sentir-me bem mas mesmo assim quebrei um pouco no quarto quilómetro, fazendo-o a 05:19. Entretanto ao entrar no último quilómetro de prova olhei para o tempo total de prova que tinha no relógio e vi que conseguia ficar próximo das 1h 25m.

Foi a motivação que precisava para esta parte final, fui forçando aos pouco o ritmo acabando conseguindo mesmo fazer a Avenida antes da meta a 04:45 min/km.

Cruzei a meta com um tempo final de 1:25:47, cerca de 4 minutos a menos que o ano passado. Fiquei bastante satisfeito com a prova que tinha acabado de fazer.

Foto Triatl3ta
Conclusão:
Esta prova correu bastante melhor do que eu tinha planeado inicialmente. Tinha previsto um desempenho pior na natação e corrida e realmente na natação foi o que aconteceu

O desempenho na natação foi efectivamente pior do que o planeado, mas mais do que a falta de treinos foi a dificuldade em nadar mais à vontade, sem tanta confusão que me fez sentir pior durante este segmento. Nem quero imaginar como será no Triatlo de Oeiras onde certamente estará muito mais gente dentro de água.

O ciclismo deixou-me bastante satisfeito, consegui fazer uma média excelente e seguir mais rodas do que costumo conseguir nestas provas. Os treinos parecem estar a dar resultado.

A corrida, que estava a prever ter também um desempenho pior acabou por ser praticamente igual ao ano passado. A nível de sensações também foi bastante melhor que em Sines, mas há que ter em conta que aqui fiz metade da natação e do ciclismo antes de começar a correr.

Em relação à prova em si nada a assinalar. Entre Corrida das Fogueiras e o Triatlo de Peniche não tenho nada a apontar às provas feitas naquele local. Sempre muita gente na rua a apoiar e um excelente ambiente são óptimos cartões de visita para Peniche.


Agora as atenções voltam-se todas para o Ciclismo e a mítica subida à Serra da Estrela já no dia 9 de Julho. Uma semana depois volto a Oeiras para o que talvez seja o último triatlo de 2017.

A minha prova:


O meu histórico no Triatlo de Peniche: